O líder do PT na Câmara dos Deputados, Aloizio Mercadante (SP), confirmou ontem que, se os senadores do PFL apoiarem a candidatura do senador Jefferson Peres (PDT), na disputa com o candidato Jader Barbalho (PMDB-PA), a presidente do Senado, o PT estará, em contrapartida, aberto a apoiar a candidatura do líder pefelista na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE).
‘‘Se houver apoio do senadores do PFL à candidatura de Peres para derrotar Jader Barbalho, cujo perfil é incompatível com as exigências de um presidente do Congresso Nacional, nós estamos abertos a discutir a candidatura de Inocêncio em cima de compromissos públicos e transparentes’’, afirmou. O principal concorrente de Oliveira na disputa pela presidência da Câmara é o candidato Aécio Neves (PSDB-MG).
Mercadante disse que, sem a possibilidade de apoio dos senadores do PFL a Peres, o PT caminhará com a própria candidatura. A definição, segundo ele, ocorrerá na terça-feira. ‘‘Sem essa possibilidade, vamos caminhar com a candidatura própria no primeiro turno com apoio do PDT e PC do B. Vamos tentar ainda ampliar esse apoio para o PPS e PSB’’, disse ele.
O presidente nacional do PT, José Dirceu (SP), anunciou ontem que o deputado Waldir Pires (PT-BA), que era uma escolha de consenso no PT, PDT e PCdoB para encabeçar uma possível candidatura própria de oposição, desistiu da disputa por problemas com o PFL na Bahia. Com essa decisão, os petistas ficam sem um nome forte dentro do partido para liderar as esquerdas na eleição da Câmara.
‘‘Nós temos outras pessoas que podem disputar, como os deputados Aloízio Mercadante (SP), José Genoino (SP) e Milton Temer (RJ), mas vamos avaliar na terça-feira. Uma coisa é certa: nomes com dimensão nacional para essa eleição a bancada do PT têm’’, declarou Dirceu.
O presidente nacional do PT reforçou que qualquer aliança com o PFL na disputa pela presidência da Câmara passa pelo apoio incondicional do partido ao senador Jefferson Peres. O recado foi uma resposta à decisão do presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen (SC), tomada anteontem, de vetar qualquer entendimento de pefelistas com Peres. A idéia do PFL é buscar um nome do PMDB ou do PSDB para disputa no Senado contra Jader Barbalho (PA).
‘‘A posição do PT tende a ser agora pelo lançamento de uma candidatura própria (à presidência da Câmara) e, no segundo turno, se ele acontecer, tomar uma nova decisão’’, disse Dirceu. ‘‘Nós não temos nenhum veto às candidaturas de Aécio ou de Inocêncio, mas se o PFL apoiasse a candidatura do senador Jefferson, a bancada avaliaria o apoio a Inôcencio.’’
Dirceu esteve ontem no Rio de Janeiro com o prefeito Cesar Maia (PTB) – um dos principais aliados políticos do presidenciável Ciro Gomes (PPS). O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e a vice-governador do Rio, Benedita da Silva (PT), foram alguns dos participantes do encontro. Lula não quis falar com os jornalistas, afirmando que Dirceu falaria pelo partido.
O petista avaliou ainda que as eleições para as presidências e mesas do Congresso estão precipitando as negociações sobre 2002. Dirceu afirmou que no primeiro semestre a preocupação da direção nacional do PT é com as administrações municipais do partido. Na segunda metade do ano começa a ser discutida a elaboração da prévia interna. ‘‘E vamos iniciar agora em março a questão do programa de governo. Depois vamos escolher um candidato e aí nós vamos abrir a questão de prévias entre os outros partidos’’, disse.
Já Mercadante esteve em São Paulo para uma reunião com a prefeita Marta Suplicy (PT). Ele disse que discutiria com Marta a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A proposta da bancada do PT é, segundo ele, que o comprometimento da receita líquida do município passe a ser de 10% e não de 13%. ‘‘No ano passado, a União economizou R$ 38 bilhões com a queda de juros. Cada 1% de queda nos juros significa, ao longo de um ano, economia de R$ 4,5 bilhões para a União, que está se apropriando desses recursos e não repassa para Estados e municípios’’, criticou.

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