A Polícia Civil de São Bernardo do Campo (SP) vai intimar o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, para depor no inquérito, aberto ontem, destinado a apurar denúncia de supostos crimes de estelionato, sonegação de tributos e fraude envolvendo as empresas Dalmiro Lorenzoni Arquitetura, Engenharia e Construções, Perfil Habitações e Mito Empreendimentos.
Além de Lula, serão ouvidos o advogado e compadre do petista, Roberto Teixeira, o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) e os empresários que participaram do negócio - compra-e-venda de um terreno de 1,4 mil m2 às margens da Rodovia Anchieta e a construção do Edifício Condomínio Residencial Garden Village. A Dalmiro Lorenzoni é a mesma empreiteira que construiu o prédio Green Hill, do Condomínio Hill House, em São Bernardo, onde Lula comprou um apartamento de cobertura, em 95, por R$ 189,14 mil.
A transação envolvendo o terreno e incorporação imobiliária do Garden Village teve início em julho de 1992. Em 1995, um cheque do advogado Sérgio Lorenzoni (irmão de Dalmiro Lorenzoni) no valor de R$ 10 mil, foi depositado na conta de Lula. A denúncia sobre irregularidades foi feita pelo deputado estadual Campos Machado, líder do PTB na AL, que entregou representação à Procuradoria-Geral de Justiça apontando a existência de ‘‘infrações penais e administrativas’’. Segundo o deputado, Teixeira representava a construtora Lorenzoni, atuava como advogado da Perfil e era diretor-presidente da Mito.
Machado sustenta que o amigo de Lula, ‘‘a pretexto de efetuar algumas despesas cartoriais’’ no processo de concordata da Dalmiro Lorenzoni teria exigido, ‘‘entre outros’’, um cheque de R$ 10 mil de Dalmiro. O cheque acabou sendo depositado em uma conta de Lula no Banco Itaú. O deputado afirma que o apartamento de Lula ‘‘teria sido pago através de parcelas mensais de R$ 10 mil’’. Na representação à Procuradoria-Geral, Machado indaga: ‘‘Será que o cheque arrancado da Dalmiro não serviu de embasamento para o pagamento de alguma prestação referente à compra do imóvel?’’
O deputado pede quebra de sigilo bancário de Teixeira e ‘‘levantamento da conta de Lula’’. O delegado Pedro Liberal disse que vai consultar Machado para ‘‘saber se ele pretende acrescentar novos dados’’ à denúncia. Liberal informou que pode pedir a quebra do sigilo bancário de pessoas citadas no caso mas explicou que isso seria evitado ‘‘se todos se anteciparem, exibindo a documentação’’.

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