Maceió - A senadora Heloísa Helena (PT-AL) renunciou à candidatura ao governo de Alagoas por discordar da aliança local com o PL, imposta pela executiva nacional do seu partido. A decisão, porém, ainda não foi comunicada oficialmente à Justiça Eleitoral. ''Sou vítima da imposição de meu partido. Não vou me juntar aos desqualificados da política alagoana'', disse a senadora ontem de manhã, em Maceio, ao afirmar que não iria dividir o palanque com o presidente regional do PL, deputado federal João Caldas, ligado ao usineiro Robert Lyra, do Grupo Carlos Lyra - um dos mais ricos do Estado.
Os vereadores do PT por Maceió, Thomaz Beltrão e Judson Cabral, que eram candidatos ao Senado, também renunciaram. Segundo Beltrão, a renúncia é coletiva. ''Ontem à noite (quarta-feira), decidimos que se a ata da convenção do partido, que não incluiu o PL na coligação, não fosse respeitada haveria uma renúncia coletiva'', explicou, dizendo que não houve recuo da executiva nacional.
A senadora já havia adiantado, em discurso no Senado na segunda-feira, que retiraria sua candidatura por rejeitar a aliança estadual com os liberais. E declarou que ''não há condições éticas'' para uma aliança com o PL de Alagoas.
O presidente do diretório regional do PT, deputado estadual Paulo Fernando dos Santos, disse que ''do ponto de vista político, Heloísa renunciou, mas oficialmente ela continua candidata, porque a renúncia não foi formalizada no Tribunal Regional Eleitoral''. Segundo Paulão - como é conhecido o deputado -, quando essa renúncia for formalizada, o PT de Alagoas vai reunir para escolher o substituto de Heloísa. ''Por enquanto, não há nenhum nome definido'', adiantou, acrescentando que não acredita em renúncia coletiva. ''Dos nove candidatos do PT a deputado federal, cinco mantiveram e quatro renunciaram. Dos 12 candidatos do partido a deputado estadual, sete mantiveram suas candidaturas e apenas cinco desistiram'', informou Paulão, que mantém sua candidatura à reeleição.
De acordo com o deputado, a executiva nacional do PT enviou para Maceió dois assessores para interferir na decisão do partido de não aceitar a coligação com o PL local. ''Recebemos notícias nesse sentido, na quarta-feira à tarde, por fax. Por isso, na reunião da executiva regional, na quarta-feira à noite, ninguém acredita mais no recuo da executiva nacional em exigir mudanças na ata, que deixou de fora o PL da coligação'', disse.
Para o deputado, até o final da tarde de hoje ainda há uma esperança quanto a manutenção da decisão do PT de Alagoas de não aceitar se coligar ao PL. ''Se a decisão da convenção for mantida, a Heloísa pode até voltar a ser candidata'', comentou.
Após o anúncio da desistência de Heloísa, o PT de Alagoas começou a ser assediado pelo governador Ronaldo Lessa, que conclama no apoio do partido para enfrentar o ex-presidente Fernando Collor, candidato do PRTB ao governo do Estado. ''Lessa é um oportunista'', afirmou Paulão.

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