Petista quer Argentina na negociação com FMI
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quarta-feira, 18 de setembro de 2002
Marina Guimarães<BR>Agência Estado 
Buenos Aires O presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a possibilidade de negociação conjunta do Brasil e Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI), como forma de preservar os interesses do Mercosul. Ele considera o bloco sul-americano ''imprescindível'' para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), na qual quer ''igualdade de participação''.
Esta opinião foi divulgada, ontem, pelo canal TN-Todo Notícias, um dos principais noticiosos a cabo da Argentina, durante entrevista concedida por Lula ao programa jornalístico as Duas Vozes. Foi a primeira vez que um candidato à Presidência do Brasil deu entrevista a uma emissora de TV argentina.
''A forma como está proposta a Alca, na verdade, não é uma política de integração, é uma política de anexação e nós não queremos ser anexados (pelos Estados Unidos)'', ressaltou o candidato petista. Sobre a crise argentina e sua repercussão no Brasil, ele disse que ''a crise que vivemos é a crise de governantes que não têm coragem de dizer a verdade ao povo. A verdade é que um real nunca valeu um dólar e um peso também nunca valeu um dólar. Os governantes preferiram não dizer a verdade.''
Lula criticou duramente os líderes da América Latina que defenderam o modelo liberal na década passada. ''Eu creio que os meninos de ouro da América Latina, que eram (Fernando) Collor de Mello, (Carlos) Menem, (Alberto) Fujimori, (Luis) Salinas... todos, sem exceção, praticaram muita corrupção. Este é um grave erro para América Latina'', ressaltou o líder das pesquisas de intenções de voto para o Palácio do Planalto.


