O deputado Paulo Paim (PT-RS), terceiro secretário das mesas diretoras da Câmara e do Congresso, quer que o Congresso suspenda o ‘‘recesso branco’’ e se reúna para debater a crise e as medidas econômicas adotadas pelo governo na última terça-feira. Em requerimento encaminhado aos presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), Paim pede que eles convoquem os parlamentares imediatamente.
O deputado Paim afirma no requerimento ‘‘que é inadmissível a aceitação pelos parlamentares de iniciativas que configurem um poder absoluto do Executivo, usurpando mais uma vez as responsabilidades que temos na determinação dos rumos do País’’.
Paulo Paim igualmente propôs a criação de uma comissão especial no Congresso para debater a crise juntamente com empresários e membros da equipe econômica do governo. Ele acredita que os eleitores vão apoiar os parlamentares, candidatos à reeleição, que tiverem que suspender a campanha eleitoral para participar desse trabalho.
O deputado disse que a contestação das medidas no Supremo Tribunal Federal (STF) - como pretende fazer o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) - só deve ocorrer se o Congresso não conseguir convencer o governo a reexaminar sua postura diante da crise financeira.
Em São Paulo, o coordenador político da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Tarso Genro, afirmou que o presidente Fernando Henrique Cardoso está preparando o que classificou de ‘‘golpe político’’ para não enfrentar o agravamento da crise dos mercados internacionais.
Segundo Tarso, ex-prefeito de Porto Alegre, a coordenação da campanha de Lula teria recebido informações ‘‘de dentro do Palácio do Planalto’’ de que FHC pretende conclamar o País à união nacional, ‘‘para comover a população e adiar mais uma vez as medidas que deveria tomar em relação à crise’’. ‘‘Estamos denunciando mais um golpe político do presidente para tentar colocar o governo como se fosse de união nacional e não enfrentar a crise’’, repetiu.
Tarso adiantou que o comando da campanha petista vai divulgar hoje uma lista com os 35 nomes que vão integrar um conselho político nacional para dar sustentação à candidatura de Lula. ‘‘Vamos mostrar quem é que tem condições de unificar o País para enfrentar a crise’’, disse,
Também em São Paulo, o presidente nacional do PT, José Dirceu, acusou ontem o governo FHC de criar uma ‘‘cortina de fumaça’’ em torno da questão das invasões conduzidas pelos integrantes do MST a propriedades particulares em todo o País na tentativa ‘‘escandalosa’’ de desviar a atenção da população da crise econômica.
‘‘Quem está buscando um cadáver é o governo’’, afirmou Dirceu, referindo-se às declarações do ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, segundo as quais o MST está preparando uma ação armada para ‘‘provocar mortes e criar mártires’’.
O petista classificou o general e o ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, de ‘‘garotos-propaganda do comitê eleitoral de FHC’’. Para Dirceu, trata-se de uma ‘‘jogada eleitoral’’ do governo para tentar vincular a candidatura presidencial do petista Luiz Inácio Lula da Silva à ‘‘luta armada e a cadáveres’’.
A afirmação do general também irritou Lula, que estava ontem em São Luís (MA). ‘‘O general devia ter coisas mais sérias para realizar, como desarmar fazendeiros, em vez de fazer marketing para o governo federal’’, acusou. ‘‘O País não tem memória tão curta e não esqueceu o massacre em Eldorado dos Carajás ou Corumbiara, onde, que eu saiba, não teve nenhum fazendeiro morto, só trabalhadores.’’ (Colaborou Carla Franco).

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