Petista quer acabar com recesso para Congresso debater a crise
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Rosa Costa Agência Estado 
O deputado Paulo Paim (PT-RS), terceiro secretário das mesas diretoras da Câmara e do Congresso, quer que o Congresso suspenda o recesso branco e se reúna para debater a crise e as medidas econômicas adotadas pelo governo na última terça-feira. Em requerimento encaminhado aos presidentes do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), Paim pede que eles convoquem os parlamentares imediatamente.
O deputado Paim afirma no requerimento que é inadmissível a aceitação pelos parlamentares de iniciativas que configurem um poder absoluto do Executivo, usurpando mais uma vez as responsabilidades que temos na determinação dos rumos do País.
Paulo Paim igualmente propôs a criação de uma comissão especial no Congresso para debater a crise juntamente com empresários e membros da equipe econômica do governo. Ele acredita que os eleitores vão apoiar os parlamentares, candidatos à reeleição, que tiverem que suspender a campanha eleitoral para participar desse trabalho.
O deputado disse que a contestação das medidas no Supremo Tribunal Federal (STF) - como pretende fazer o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) - só deve ocorrer se o Congresso não conseguir convencer o governo a reexaminar sua postura diante da crise financeira.
Em São Paulo, o coordenador político da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Tarso Genro, afirmou que o presidente Fernando Henrique Cardoso está preparando o que classificou de golpe político para não enfrentar o agravamento da crise dos mercados internacionais.
Segundo Tarso, ex-prefeito de Porto Alegre, a coordenação da campanha de Lula teria recebido informações de dentro do Palácio do Planalto de que FHC pretende conclamar o País à união nacional, para comover a população e adiar mais uma vez as medidas que deveria tomar em relação à crise. Estamos denunciando mais um golpe político do presidente para tentar colocar o governo como se fosse de união nacional e não enfrentar a crise, repetiu.
Tarso adiantou que o comando da campanha petista vai divulgar hoje uma lista com os 35 nomes que vão integrar um conselho político nacional para dar sustentação à candidatura de Lula. Vamos mostrar quem é que tem condições de unificar o País para enfrentar a crise, disse,
Também em São Paulo, o presidente nacional do PT, José Dirceu, acusou ontem o governo FHC de criar uma cortina de fumaça em torno da questão das invasões conduzidas pelos integrantes do MST a propriedades particulares em todo o País na tentativa escandalosa de desviar a atenção da população da crise econômica.
Quem está buscando um cadáver é o governo, afirmou Dirceu, referindo-se às declarações do ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, segundo as quais o MST está preparando uma ação armada para provocar mortes e criar mártires.
O petista classificou o general e o ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, de garotos-propaganda do comitê eleitoral de FHC. Para Dirceu, trata-se de uma jogada eleitoral do governo para tentar vincular a candidatura presidencial do petista Luiz Inácio Lula da Silva à luta armada e a cadáveres.
A afirmação do general também irritou Lula, que estava ontem em São Luís (MA). O general devia ter coisas mais sérias para realizar, como desarmar fazendeiros, em vez de fazer marketing para o governo federal, acusou. O País não tem memória tão curta e não esqueceu o massacre em Eldorado dos Carajás ou Corumbiara, onde, que eu saiba, não teve nenhum fazendeiro morto, só trabalhadores. (Colaborou Carla Franco).


