Petista quer acabar com as convocações extras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de dezembro de 1998
Patrícia Zanin 
O deputado federal Roque Zimmermann (Padre Roque, PT-PR), está insistindo com um projeto que pretende acabar com as convocações extraordinárias do Congresso. O projeto está parado nas comissões da Câmara há três anos e poderia evitar a convocação extraordinária no Congresso, que vai custar R$ 9,5 milhões. A proposta é de que o Congresso trabalhe de 1º de fevereiro a 20 de dezembro, sem interrupção, para acabar com essa farra de convocações extraordinárias, explicou.
Ele lembra que o gasto extra poderia ser evitado de houvesse boa vontade dos presidentes da Câmara e do Senado e dos partidos governistas. O governo federal vai gastar quase R$ 10 milhões somente com o pagamento de salários extras para os 594 parlamentares na convocação extraordinária de 4 a 29 de janeiro. Além dos dois extras da convocação, cada parlamentar receberá em dois meses de trabalho (dezembro e janeiro) R$ 28 mil. Esse valor se refere a salários de dezembro e janeiro (R$ 8 mil cada), metade do 13º (R$ 4 mil) e ajuda de custo de final do ano legislativo (R$ 8 mil). Cada salário extra é equivalente a R$ 8 mil.
O projeto que proibiria convocações extraordinárias só abre exceções para casos de guerra ou estado de sítio. No recesso os deputados já ganham normalmente, alega. Ele lembra que é prática comum não só no Congresso, mas também nas Assembléias. O período extraordinário é o que se chama gorjeta de Natal, mas vou continuar brigando para que se acabe com essa brincadeira, imoralidade, indecência, criticou.
Padre Roque criticou o gasto elevado com sessões extraordinárias na Assembléia do Paraná. Ele acredita que se o seu projeto de for aprovado, poderá haver uma pressão nos Estados para que se aplique a regra. Nos Estados a coisa é muito pior porque existe muito mais infra-estrutura e até mesmo mais verba à disposição dos deputados. No Paraná, além da verba de convocação e desconvocação, eles ganham mais R$ 400,00 por sessão. O assalto ao erário é maior que na Câmara, disse.


