O coordenador da campanha do PT à Presidência da República, deputado Luiz Gushiken (SP), admitiu ontem que o crescimento do presidente Fernando Henrique Cardoso nas pesquisas de opinião pode estar relacionado à demora na divulgação do programa de governo do partido. Ele afirmou também que, assim que o programa for divulgado, haverá unidade nos discursos dos candidatos a presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a vice Leonel Brizola (PDT).
‘‘O resultado da pesquisa pode estar ligado à não-apresentação do programa, mas não vamos precipitar nada’’, disse. A idéia, segundo Gushiken, é apresentar um primeiro esboço do programa de governo logo após a Copa do Mundo. ‘‘Estamos procurando dar consistência ao programa, e isso requer estudos, discussões e levantamentos de dados’’, disse. ‘‘Fora isso, operamos uma frente política de partidos distintos, estamos frente a um projeto complexo, que é organizar partidos sérios.’ Quanto às divergências entre os discursos de Lula e Brizola, Gushiken afirmou que as considera naturais. ‘‘Meu Deus do céu, nós nunca quisemos esconder as divergências entre os partidos, que têm histórias diferentes e culturas diferentes’’, disse.
Na avaliação de Gushiken, as divergências políticas não são fundamentais. Segundo ele, o importante é chegar a um consenso. ‘‘Até o momento em que o programa for apresentado, ninguém vai ficar escondendo divergências; elas fazem parte do jogo sério desses partidos e é natural que Brizola tenha idéias diferentes das de Lula’’, afirmou. ‘‘Mas, depois que se apresentar um programa de governo, não; aí, a unidade será total.’ (AE)

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