Petista envolvido em dossiê implica a campanha de Lula
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sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Fábio Victor e Rubens Valente<br>Folhapress 
São Paulo - Em depoimento de cinco horas ontem na superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha de Aloizio Mercadante (PT) e assessor parlamentar do senador, declarou que o dossiê contra tucanos seria usado nas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e de outros petistas nos Estados. Foi a primeira vez que um dos envolvidos no caso admitiu abertamente o uso eleitoral do dossiê e associou sua compra à campanha de Lula. A polícia o ouviu porque ele foi chamado a Brasília para ver se seria possível divulgar um eventual material de repercussão na campanha, disse, sem citar à qual campanha se referia, Alberto Zacarias Toron, advogado que defende Lacerda.
Segundo o advogado, Lacerda contou à PF que quem o chamou à Brasília foi Jorge Lorenzetti, ex-coordenador de risco e mídia da campanha de Lula. Sabia-se, até então que havia um material comprometedor no que concerne ao escândalo dos sanguessugas. Como ele teve participação é que ele foi chamado [a depor], disse Toron. Lacerda negou que tenha levado a Gedimar Passos verba para comprar o dossiê. Ele não manuseou em qualquer momento o dinheiro, não falou sobre a origem do dinheiro e desconhecia que o material seria pago, disse Toron.
Imagens do circuito interno do hotel onde Passos se hospedou mostraram Lacerda entrando com uma mala no local e saído de lá sem ela, no dia 14 de setembro, quando Gedimar e Valdebran Padilha foram presos no local com o dinheiro. Para a PF, era a comprovação de que o assessor de Mercadante teria transportado pelo menos parte do R$ 1,7 milhão e seria, portanto, a chave para explicar a origem do valor.
Lacerda, segundo seu advogado, admitiu ter ido ao hotel naquele dia, mas relatou que a mala, em vez de dinheiro, tinha um notebook, roupas, material de campanha do PT e boletos bancários para contribuição de campanha. Lacerda disse que tudo seria entregue a Gedimar, a pedido deste, e que, por isso, saiu do local sem a mala.
Segundo Toron, o notebook foi solicitado por Gedimar para que ele conferisse a autenticidade de parte do material do dossiê (CDs e DVD). Os boletos eram para depósito por pessoa física nos exatos termos do que manda a lei eleitoral.
O relato do depoimento de Lacerda tem pontos confusos. Toron não soube dizer, por exemplo, aonde foram parar o notebook, os boletos e o material de campanha que estariam na mala, que não estavam no material apreendido pela PF. Salvo engano meu, o notebook foi apreendido, disse ele.
Toron afirmou que Lacerda foi duas vezes ao hotel, mas não esclareceu se foram no mesmo dia. Lacerda reafirmou à PF que o candidato desconhecia por inteiro a existência do dossiê. Toron disse que desconhecia que seu cliente era assessor parlamentar de Mercadante.


