O economista Guido Mantega, assessor do candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), classificou o ajuste fiscal divulgado ontem pelo governo federal de eleitoreiro e ineficaz. ‘‘O governo está dando um tiro no p钒, afirmou, argumentando que o aumento dos juros anunciado na sexta-feira vai criar uma despesa muito maior que a economia gerada pelo corte de R$ 4 bilhões no orçamento.
Segundo cálculos de Mantega, a elevação dos juros provocará uma despesa mensal de R$ 3,2 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 12 bilhões até dezembro, caso as taxas sejam mantidas. ‘‘Somente um mês de juros praticamente já come a economia de R$ 4 bi’’, observou.
Para o economista, que prevê um déficit público de 8% do PIB em 99, as medidas anunciadas são ‘‘perfumaria’’ e o governo está ‘‘postergando o aumento de tributos para depois das eleições’’. Mantega argumentou que, se o governo seguisse sua própria lógica aplicada em momentos de crise, teria aumentado os impostos agora. ‘‘Eles não estão tomando todas as medidas que gostariam de tomar para não perder popularidade antes das eleições’’, opinou.
O assessor do candidato do PT acredita que o ajuste fiscal e o aumento de juros anunciados pelo governo vão provocar recessão na economia brasileira. Segundo ele, os consumidores e os empresários serão diretamente atingidos pela alta dos juros, que vai ocasionar diminuição do consumo e dos investimentos. ‘‘Com essas medidas, o Brasil vai crescer 0% do PIB ou menos em 99 e o desemprego vai aumentar’’, estimou o economista.
Mantega considerou positiva as medidas para incentivar as exportações do País, mas ressalvou que seus efeitos não serão imediatos. ‘‘São medidas salutares, mas com efeitos a médio e longo prazo’’, sustentou.
Mantega voltou a defender o controle do câmbio como solução para estancar a saída de dólares do País. ‘‘Esta é a hora’’, afirmou, citando opiniões de economistas segundo as quais o Brasil já está vivendo um ataque especulativo.
Para ele, o ajuste fiscal e o aumento de juros ‘‘não são suficientes para estancar a hemorragia de divisas do País’’. Segundo ele, embora as reservas brasileiras ainda sejam razoáveis, a velocidade de fuga dos dólares está mais rápida do que a observada em outros momentos de turbulência, como na crise asiática.
O controle cambial proposto pela oposição é o monitoramento de todas as saídas de dólares do País pelo Banco Central. Mantega rebateu afirmações de que a medida poderia afugentar investimentos internos. Para ele, o capital estrangeiro só está ingressando no Brasil neste momento via privatizações.

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