Petista denuncia Lula por corrupção
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segunda-feira, 26 de maio de 1997
Agência Folha De São Paulo 
Paulo de Tarso Venceslau, petista que foi secretário municipal nas administrações do partido em Campinas e São José dos Campos, acusa a direção da legenda de ser conivente com um esquema de corrupção que, no final da ponta, financiaria atividades do PT. De acordo com Venceslau, Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu (presidente nacional do PT) e outros dirigentes sabiam de um esquema para favorecer a Cpem (Consultoria para Empresas e Municípios) em administrações do partido.
A denúncia de Venceslau foi publicada no Diário do Povo, de Campinas, no último dia 18, e no Jornal da Tarde, de São Paulo, na edição de ontem. A Cpem, ainda segundo Venceslau, é dirigida de fato por Roberto Teixeira, um advogado amigo de Lula. O líder petista mora em São Bernardo do Campo em casa cedida por Teixeira.
O Paulo Okamoto me disse que a Caravana da Cidadania do Lula, em 93, quase não saiu porque a Cpem não repassou o dinheiro prometido por causa dos problemas que eu criei para eles quando era secretário em São José, disse Venceslau. Okamoto é um dos homens de confiança de Lula. A caravana citada por Venceslau serviu como ponto de partida para a campanha presidencial de Lula em 94.
Em 93, Venceslau e a administração petista questionaram um contrato da empresa representada por Teixeira com a Prefeitura de São José dos Campos. O compromisso fora firmado por prefeitos anteriores, que não eram do PT. Venceslau achou exorbitante os cerca de US$ 16 milhões que a prefeitura local teria que pagar à Cpem caso aceitasse os termos do contrato. A Cpem era responsável pela revisão do cálculo do chamado valor adicionado, principal item para se chegar até a cota-parte que cada município receberá do bolo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Teixeira queria que os contratos fossem feitos sem licitação, afirmou Venceslau. Antes de questionar o contrato, o então secretário municipal disse que foi pressionado por lideranças petistas para manter o compromisso com a empresa representada pelo amigo de Lula. Venceslau tem documentos que provam que a direção petista sabia do caso.
Na verdade, a polêmica com a Cpem começou em 90, quando Venceslau era secretário da Fazenda da Prefeitura de Campinas, comandada pelo então petista Jacó Bittar. O Jacó me levou até o Lula para que ele tentasse me convencer que a contratação da Cpem era legal, declarou Venceslau. Ainda de acordo com ele, Lula agendou uma reunião entre o à época secretário campineiro, Teixeira e Okamoto para tentar, sem sucesso, um acordo.
Pelo relato dele, Lula e Dirceu foram informados das irregularidades cometidas pela Cpem e não tomaram providências. Registrei em cartório uma carta endereçada ao Lula. O Dirceu acompanhou tudo e ninguém fez nada, disse Venceslau.


