O deputado federal José Dirceu (PT-SP), presidente nacional do PT, disse ontem em Curitiba que as propostas de reestatizar as empresas públicas privatizadas são irreais. A declaração bate de frente com as propostas dos senadores Roberto Requião (PMDB) e Alvaro Dias (PSDB), pré-candidatos ao governo do Estado. Ambos afirmaram que caso sejam eleitos e a Copel for privatizada, eles irão transformá-la novamente em empresa estatal. ''A reestatização é um irrealismo'', afirmou José Dirceu. ''Queremos renegociar a dívida externa, somos contra as privatizações, mas não dá para reestatizar o que já foi privatizado'', reforçou.
Ele esteve em Curitiba e em Londrina para buscar apoio para sua candidatura à reeleição na presidência do Partido dos Trabalhadores. Ele disputa o cargo com outros cinco candidatos: Markus Sokol, José Fortunatti, Raul Pont, Júlio Quadros e Tilden Santiago. As eleições ocorrerão no dia 16 de setembro em todo o País. ''O debate por enquanto se dá em cima de um programa de governo do PT. Temos que criar um mercado interno, de crescimento. É preciso uma mudança de rumo e de política que interesse o Brasil'', declarou.
Em outubro deverão iniciar os debates sobre alianças nacionais e regionais. ''Os nossos opositores internos no PT disseram que nós abandonados as lutas sociais e isto não é verdade. No Paraná, por exemplo, estivemos ativos no debate de questões importantes como conflito no campo, desrespeito aos direitos humanos e na luta contra a privatização da Copel'', enumerou.
Para o ano que vem, José Dirceu aposta na candidatura de Luís Inácio Lula da Silva para a presidência da República. Em março, Lula participa de uma prévia com outro pré-candidato, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). ''O Lula se preparou durante todos estes anos para ser o candidato. Ele é um negociador nato'', afirmou.
No Paraná, José Dirceu aposta em candidatura própria. O nome mais cotado é o do deputado estadual Ângelo Vanhoni. Ele acredita num consenso sem prévias dentro do partido. ''É hora de termos um candidato no Paraná. Queremos agora o apoio dos demais partidos.''
Ele não descartou a possibilidade de coligação com o PMDB e com o futuro partido do senador Osmar Dias (sem partido). O mesmo não pode ser dito do senador Alvaro Dias. ''O senador Alvaro Dias não entra neste diálogo. Não passa pela cabeça dele apoiar Lula para a presidência da República, nem deixar de estar ao lado do governismo nacional'', analisou.
Vanhoni não descartou a possibilidade de sair candidato ao governo pelo PT, mas disse que ainda é muito cedo para articulações políticas. ''Posso ser candidato, sim. Nunca disse o contrário. Mas depende de uma série de fatores. Ainda é muito cedo para tomar decisões'', afirmou.

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