Petista consegue sustar licitação
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sexta-feira, 16 de abril de 1999
Leandro Donatti 
O deputado federal Florisvaldo Fier (PT-PR), o Dr. Rosinha, conseguiu anteontem à noite uma liminar na Justiça Federal, suspendendo por tempo indeterminado a licitação para a contratação indireta de mão-de-obra para a Administração Federal. A decisão foi proferida pela juíza federal da 4ª Vara do Distrito Federal, Lana Ligia Galati, em resposta a uma ação popular ajuizada pelo deputado no mesmo dia.
Rosinha acionou o ministro do Orçamento e Gestão, Pedro Parente, e a presidenta da Comissão de Licitação do Ministério, Patrícia Dias Mesquita, por entender como ilegal a forma adotada pelo governo federal para o preenchimento de 104 cargos de assistente especializado, de assistente operacional e de auxiliar operacional. Os salários variam entre R$ 300,00 e R$ 1,8 mil, mais outros encargos sociais.
No despacho, a juíza descreve que a medida constitui burla à livre concorrência dos profissionais aos cargos públicos. É estranha, ainda, em face das demissões incentivadas e perpetradas pelo governo federal. Em seu parecer, Galati observou também que se incentivou demissões e proibiu concursos até dezembro deste ano é porque precisa conter gastos, ou então porque tem pessoal em excesso.
A liminar determina que Parente se abstenha de praticar quaisquer atos tendentes a promover a contratação de pessoal (...), sob pena de responsabilidade. A admissão no serviço público por meio de empresa privada (terceirização) é admitida em caráter restrito, para o desempenho de funções de apoio e suporte. Não se admite a contratação de mão-de-obra especializada para o desempenho de funções típicas da carreira do órgão público, reforça o despacho.
No entendimento do deputado federal, as contratações só podem ser feitas mediante concurso público, porque estão em jogo serviços essenciais. A tentativa do ministro Parente de burlar a legislação para contratar pessoal indiretamente mostra que o governo vem enganando a população. Passam por cima das leis, dizem à população que é preciso reduzir gastos, proibindo concursos públicos, declarou Rosinha, ontem.


