Petista condena mudança casuística
Agência Estado
De Brasília
O líder do PT na Câmara, José Genoino (SP), identifica na defesa do parlamentarismo feita por Tasso uma fuga dos aliados de Fernando Henrique da eleição direta de 2002. Se o governo não tiver candidato competitivo em 2002, ele poderá buscar uma solução no parlamentarismo, acusa. Mas não se muda um sistema de governo de maneira casuística, como mera troca.
O problema central agora é reformar o presidencialismo, limitando a imunidade parlamentar, o uso de medidas provisórias, criando a fidelidade partidária e corrigindo a representação dos Estados na Câmara, argumenta Genoino. Sou contra o debate sobre parlamentarismo agora.
O debate sobre a adoção do parlamentarismo como sistema de governo no País divide a opinião de cientistas políticos e políticos em duras críticas e elogios. A retomada das discussões públicas agora é apontada por um deles, o professor Gaudêncio Torquato, da Universidade de São Paulo (USP), como parte do plano dos tucanos para estabelecer o parlamentarismo em 2006. É este o projeto que eles acalentam, garante Torquato. O plano contaria com o empenho do presidente Fernando Henrique Cardoso e dos governadores de São Paulo, Mário Covas, e Ceará, Tasso Jereissati.
O professor de Ciência Política da USP Rogério Schmitt considera casuística a abordagem do tema no momento. A proposta esconderia, na sua avaliação, o interesse dos atuais ocupantes do poder em perpetuarem-se em seus postos. Para Schmitt, o País deve ainda se orientar pelo resultado de dois plebiscitos, feitos em 1963 e 1993, que apontaram o presidencialismo como o sistema favorito. A população já se manifestou majoritariamente favorável ao presidencialismo, lembra. Foram duas goleadas.
Torquato julga procedente a proposta do parlamentarismo. A seu ver, o presidencialismo brasileiro é um sistema que permite a concentração de poder e o estilo imperial que favorecem o fisiologismo no Congresso. O sistema está vivendo uma crise , afirma.
Schmitt e Torquato julgam, porém, que as mudanças devem começar pela reforma política para aperfeiçoar o presidencialismo. A democracia só se consolida quando as regras do jogo são estáveis, afirma Schmitt, que rebate, assim, as críticas de que a relação do chefe do Executivo com o Congresso exige negociações quase pessoais com os parlamentares, ponto de vista defendido, por exemplo, por Tasso: A política é a negociação; é a arte das alianças, esse é o preço que se paga pela democracia.





