Curitiba - O candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem que o Brasil só vai retomar o crescimento econômico quando discutir e implementar as reformas programadas há mais de oito anos e que não foram efetivadas por falta de vontade e interesse político. Entre as reformas fundamentais na avaliação de Lula estão a tributária, a da estrutura sindical, a da previdência social, agrária, política e do comércio exterior. ‘‘O Brasil é um palco de discussões de reforma agrária, mas tudo é feito com conflitos. Não podemos mais admitir a violência contra os que produzem, nem contra os que querem produzir’’, destacou.
Lula prometeu criar uma secretaria especial de comércio exterior ligada diretamente à presidência da República. Ele quer ainda que em cada embaixada existente no Brasil, seja colocado um agente comercializador, uma pessoa que ofereceria os produtos nacionais para o mercado internacional. ‘‘Eu quero livre comércio e igualdade de disputa. Temos que lutar para tornar os produtos brasileiros competitivos. O Brasil tem que deixar de ser visto como um País de carnaval, de futebol e de massacres como o da Candelária’’.
O presidenciável falou ainda sobre o crescimento do risco-Brasil, que já é o segundo maior do mundo, atrás apenas da Argentina. ‘‘Só existe um remédio para controlar o risco dos investidores em aplicar no Brasil: aumentar a balança comercial. E como se faz isso? Com crescimento da exportação e geração de empregos’’, ensinou.
Lula participou ontem do encontro promovido com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Federação dos Transportes de Cargas do Paraná (Fetranspar), Associação Comercial do Paraná (ACP), Movimento Pró-Paraná e Federação do Comércio do Paraná (Fecom), em Curitiba. Lula lembrou que o PT está bem preparado para assumir a presidência da República, porque governa cerca de 50 milhões de brasileiros em cinco estados e sete capitais brasileiras. No Paraná, nove cidades são administradas pelo PT.
Ele apresentou projetos para o Brasil. Um deles, o Projeto Moradia, deverá ser instalado num prazo de 15 anos. Vão ser investidos R$ 90 bilhões, R$ 6 bilhões por ano. Estes recursos serão retirados do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e do ICMS.

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