Petista admite existência de caixa 2
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sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Folhapress 
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Brasília - Em depoimento ontem na Polícia Federal, os dirigentes petistas Wilmar Lacerda e Raimundo Ferreira Júnior confirmaram ter sacado dinheiro em espécie da agência do Banco Rural em Brasília por orientação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Tudo foi feito por orientação do senhor Delúbio Soares, afirmou Lacerda, presidente do diretório do PT no Distrito Federal.
Ele assumiu a responsabilidade por um saque de R$ 50 mil no caixa do Rural. Outros R$ 135 mil, segundo Lacerda, foram trazidos da sede da agência SMPB em Belo Horizonte para Brasília em duas viagens de ônibus.
Para completar o dinheiro que teria composto o caixa dois no Distrito Federal, Lacerda disse ter recebido mais R$ 196 mil repassados pelo diretório nacional do partido. Total: R$ 381 mil.
Esse dinheiro foi para pagar dívidas do PT. Tenho todos os comprovantes e vou enviar à Polícia Federal, declarou o dirigente. [O dinheiro] às vezes vinha de maneira institucional e às vezes de forma não-institucional. Fiz tudo de boa-fé e em confiança ao Delúbio Soares, afirmou.
A contabilidade dos saques feita pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza atribui a Lacerda um total de R$ 235 mil. Conforme os dados de Valério, o vice-presidente do PT no Distrito Federal Raimundo Ferreira Júnior fez três retiradas, num total de R$ 370 mil.
À PF, ele disse ter feito um único saque. Peguei um envelope com um funcionário do Rural e o levei para o Delúbio Soares, afirmou, atribuindo também ao ex-tesoureiro do PT a orientação para ir à agência do Rural.
Ferreira Júnior disse que irá processar a diretora financeira da SMPB Simone Vasconcelos porque ela teria mentido quanto ao número de vezes em que ele fez saques.
Uma análise preliminar dos documentos apreendidos pela PF, a pedido da CPI Mista dos Correios, na sede da SMPB e da DNA em Belo Horizonte, indica que as agendas de trabalho encontradas contêm apenas anotações a partir de julho deste ano. Não foram encontradas agendas antigas.
Segundo o delegado federal André Epifânio, que atua na CPI dos Correios, os computadores apreendidos aparentemente são novos. Mas somente com uma perícia será possível dizer com precisão o tempo de uso, afirmou Epifânio.
Para o delegado, um dos pontos principais da análise dos documentos e computadores é verificar se houve ou não tentativa de suprimir provas de eventuais legalidades praticadas.


