Pestistas do PR se frustraram com pronunciamento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de agosto de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O pronunciamento do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) sobre a crise política que afeta o governo e o PT não repercutiu bem entre os parlamentares mais à esquerda dentro da sigla. A avaliação do bloco de esquerda do PT na Câmara é que a manifestação de Lula não foi à altura da crise política.
Para a deputada federal Dra. Clair (PT-PR), Lula deveria ter sido mais enfático e anunciado medidas concretas para solucionar o problema. ''Parece que o presidente ainda não percebeu a dimensão da crise. O PT tem que pedir perdão não apenas pelas denúncias de corrupção, mas por todos os erros que vêm sendo cometidos desde o início do mandato do presidente. Foram adotadas práticas que não condizem com a história do partido. Trocamos nossa postura ideológica por campanhas com showmícios e marqueteiros como Duda Mendonça, e acabamos nos igualando aos partidos que sempre criticamos'', afirmou a deputada.
Dra. Clair, que chorou na quarta-feira no plenário da Câmara após as novas denúncias de Duda Mendonça à CPI do Mensalão, acredita que estão tentando circunscrever as denúncias a apenas alguns elementos do PT. ''Temos que punir exemplarmente tanto quem agiu errado como quem avalizou essas ações. Não é possível que o Delúbio (Soares, tesoureiro do PT) agiu sozinho, sem que pessoas com autoridade dentro do diretório tenham concordado com seus atos'', afirmou.
A crise política pode resultar nos pedidos de desfiliação dos deputados que integram o chamado bloco de esquerda do PT. Ontem, os deputados reivindicaram a convocação de uma reunião do diretório nacional e o afastamento de todos os membros da direção citados nas denúncias da CPI. ''Muita gente já está cogitando a possibilidade de sair do partido. Eu acho até difícil fazer uma avaliação disso, porque os fatos que vão sendo revelados a cada dia são realmente surpreendentes, e tudo pode mudar. Pretendo ajudar na luta para reconstruir o partido nas eleições para os diretórios municipais, estaduais e federal do dia 18 de setembro, quando podemos depurar o partido e afastar quem nos prejudicou. Mas com essas denúncias não sei nem se teremos um partido para depurar até as eleições, visto que já se fala até em cassar o registro do PT'', desabafou Dra. Clair.


