Curitiba - Um oficial de Justiça esteve na manhã de ontem na sede do PMDB do Paraná, em Curitiba, cumprindo mandado de reintegração de posse do local para os membros da Executiva "destituídos" na última sexta-feira, durante reunião do diretório convocada pelo senador Roberto Requião (PMDB), candidato ao governo do Estado. A Executiva destituída é ligada ao PSDB do governador Beto Richa, candidato à reeleição, e Requião alega que o grupo estava fazendo campanha contra a sua candidatura.
Decisão liminar do juiz de plantão José Eduardo de Mello Leitão Salmon, na noite de domingo, concedeu a reintegração de posse em nome do ex-governador Orlando Pessuti, que, antes da convocação de Requião, ocupava a cadeira de secretário-geral do partido. O deputado federal Osmar Serraglio e o deputado estadual Reinhold Stephanes Júnior eram, respectivamente, presidente e o terceiro vice-presidente da legenda antes da destituição.
"É a vitória da democracia e o respeito ao estatuto do PMDB. As divergências políticas têm que ser superadas politicamente e não com invasão, violência e truculência", disse Pessuti, que alega que a sede do partido foi invadida pelos apoiadores de Requião após a reunião do diretório, desrespeitando o luto oficial decretado pelo partido em homenagem a Eduardo Campos, ex-candidato a presidente pelo PSB morto na quarta-feira passada. Ontem, Pessuti ainda determinou a substituição das fechaduras do prédio. "Em 48 anos de história, o PMDB nunca havia sido invadido. Nem durante a ditadura."
O ex-governador afirmou não haver validade na reunião do diretório promovida por Requião. "Não tem ninguém fazendo campanha contra ele. Podemos até não estar fazendo campanha a favor, mas não estamos dizendo a ninguém para não votar nele. Mas, se ele entende que estamos fazendo campanha contra, ele deveria acionar o conselho de ética e disciplina do partido, que é o fórum correto para avaliar os casos de infidelidade partidária", disse.
A nova Executiva do PMDB não deu muita importância para a decisão do juiz de plantão e se apega à manifestação do diretório nacional do PMDB, que, ontem, reconheceu a nova formação, que tem Rodrigo Rocha Loures como presidente. "É o abraço do afogado, não tem valor nenhum. A reintegração é sobre a sede física do PMDB, não entrou no mérito da substituição dos membros da Executiva. E, nesta tarde, recebemos ofício do diretório nacional homologando nossa reunião de sexta-feira e reconhecendo a nova Executiva", disse o coordenador jurídico da campanha de Requião, Luiz Fernando Delazari. "Quanto à liminar, apenas vou mandar um comunicado ao juiz informando que ele foi induzido ao erro porque não foi informado de uma decisão interna do partido", concluiu.

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