Com uma ''reunião de trabalho'' entre prefeitos da região e a promessa de investimentos federais nos municípios paranaenses, ainda este ano, o governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB), deu início ontem em Londrina às ações de campanha pela candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. O encontro foi em uma casa de eventos na Zona Leste.
Para o peemedebista, a eleição da petista no Paraná - onde a vitória dia 3 de outubro foi de José Serra (PSDB); em Londrina, Dilma ficou em terceiro, atrás também de Marina Silva (PV) - seria a chance de o Estado eleger ''a primeira presidente desde a redemocratização do País''. A menção de Pessuti é ao fato de, nas últimas seis eleições presidenciais, o eleitor paranaense ter optado por candidatos do PSDB, sempre na disputa do partido contra o agora presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
''Estamos reunindo coordenadores da campanha do primeiro turno de cada região e cada município do Estado, além de presidentes de partido e candidatos eleitos ou não. A intenção é que, assim, quem sabe pela primeira vez desde a redemocratização o Paraná eleja alguém das forças populares'', disse.
Indagado se o ex-governador Roberto Requião (PMDB), eleito para a segunda vaga no Senado, atrás de Gleisi Hoffmann (PT), também atuarão nessa frente pró-Dilma, Pessuti resumiu: ''Não tenho acompanhado o dia a dia do Requião, mas sei que ele participará ativamente da campanha da Dilma no Paraná''.
Se as arestas foram aparadas entre ambos? Ao que parece, não. ''Não tenho conversado com ele desde 1º abril, pessoalmente, pois se colocou na condição de opositor ao nosso governo'', justificou, para completar: ''Não tenho feito críticas ao ex-governador, que, por sua vez, diz que fez pouco voto por causa do Pessuti. Não imaginava que teria tanta força ficando calado como fiquei; não pedi a ninguém que não votasse nele, nem à minha mulher, nem aos meus filhos - e basta ver que nos municípios onde sempre fiz política, no Vale do Ivaí, ele foi o mais votado''. Se pediu que alguém votasse no colega de partido? ''Não, como cidadão, até porque ele não quis votar para que eu fosse candidato (ao governo; Pessuti desistiu para compor a aliança que lançou Osmar Dias, do PDT). Mas isso agora são coisas menores'', amenizou.
No discurso aos prefeitos, o governador classificou a presidenciável do PT como a ''santa de devoção'' deles - para logo após mencionar o feriado nacional de 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida. ''Dia 13 vamos fazer um foguetório em 13 cidades, às 13 horas, com 13 caixas de foguetes, para nossa santa Dilma, nossa santa de devoção, e o padroeiro Michel Temer (PMDB, vice da petista)''. Em seguida, mencionou os investimentos que prefeitos aguardam do Estado em escolas municipais, por exemplo, aos quais a verba, em boa parte, ainda não chegou. ''Nossa secretária de Educação do Estado (Hivelise Arcoverde) vai a Brasília'', comentou, para completar que os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Fernando Haddad (Educação) fariam ''ajustes'' a fim de que os municípios fossem contemplados com verbas para conclusão de obras inacabadas.

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