Curitiba - Depois de quase seis meses de ''espera'', o ex-governador do Paraná Orlando Pessuti (PMDB) foi nomeado membro do Conselho de Administração do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), que é ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O nome do peemedebista foi publicado ontem no Diário Oficial da União. Desde o início do ano, Pessuti aguardava uma indicação para os quadros do governo federal e chegou a pedir quatro licenças da Emater (Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), onde é funcionário efetivo desde 1979. Ele chegou a tirar licença-prêmio, licença-médica e, por fim, pediu um afastamento do órgão, de forma não remunerada.
Nos bastidores, corre que o senador Roberto Requião (PMDB), em conflito com Pessuti desde o início do ano passado, teria trabalhado para que o nome do ex-aliado não fosse contemplado. Outros paranaenses, que tiveram participação direta na campanha da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), já foram nomeados para cargos no governo federal, como o ex-senador Osmar Dias (PDT), que ficou com uma diretoria no Banco do Brasil. Já o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), nomeou o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB) em seu gabinete.
Pessuti foi considerado uma das figuras centrais da engenharia política que construiu no ano passado, no Paraná, um palanque regional para a então candidata à Presidência da República. No exercício do cargo de governador do Estado com a saída de Roberto Requião (PMDB) para disputar o Senado, Pessuti se declarava candidato certo para a reeleição ao Executivo estadual, mas abriu mão da disputa, o que permitiu a aliança entre PMDB, PT e PDT de Osmar Dias, nome mais forte para encabeçar uma chapa ao governo do Estado.
No BNDES, o Conselho de Administração possui onze membros. O mandato, no caso de Pessuti, é de três anos, com possibilidade de uma reeleição. Pessuti receberá R$ 5.506,43 por mês. As reuniões do Conselho de Administração acontecem uma vez a cada três meses.
Eleição em 2014
Em entrevista à Reportagem, Pessuti disse que sua nomeação significa que ''o compromisso que assumiram conosco foi cumprido''. Sobre o cargo no BNDES, Pessuti reforçou que se trata de uma ''oportunidade de participar das definições sobre os grandes financiamentos no País'', mas admitiu que deseja uma ''progressão''. Pessuti tem trabalhado abertamente no seu projeto de candidatura ao governo do Estado em 2014. E, segundo ele, o PMDB não pode cometer o mesmo erro da disputa de 2010, quando Pessuti abriu mão da sua candidatura em nome da aliança pró-Osmar Dias logo no primeiro turno.
''Eu defendo que se a gente tivesse lançado dois nomes, a eleição poderia ter ido para o segundo turno'', disse Pessuti. Questionado se o fortalecimento agora de Gleisi Hoffmann (PT) para a disputa de 2014 não poderia enfraquecê-lo novamente, Pessuti reforçou que os dois nomes podem caminhar juntos, seja numa aliança no primeiro ou no segundo turno. ''A Gleisi vive seu melhor momento e estamos radiante por ela. Nosso plano não tem nada dissociado da aliança com o PT'', disse ele.

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