Pesquisas deixam aliados em alerta
Partidos aliados acreditam que FHC tem demorado muito para dar respostas a problemas emergenciais como a seca
Agência Estado
A queda nas intenções de votos para o presidente Fernando Henrique Cardoso, reveladas em pesquisas do Ibope e Instituto Vox Populi, deixou os aliados do Palácio do Planalto em sinal de alerta. Embora o governo tente creditar o mal desempenho do presidente nas pesquisas à sequência de fatos negativos na conjuntura do País, como a seca do Nordeste, o PSDB faz uma crítica objetiva: o governo foi muito lento na resposta a questões como a queimada em Roraima e a própria seca.
‘‘O governo tem de retificar seu comportamento’’, avaliou o deputado Roberto Brant (PSDB-MG). ‘‘A campanha ainda está longe, mas o governo não pode ficar de salto alto neste momento e temos de estar atentos aos acontecimentos’’, completou o vice-líder do governo no Congresso, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Os tucanos concordam que os problemas do governo não serão resolvidos com propaganda, mas entendem que ele falha ao não agir com rapidez nos momentos de tensão social.
‘‘Esse governo fez coisas impressionantes que só vão aparecer a longo prazo, mas não há uma frente de ações que a população perceba no presente imediato’’, analisou Roberto Brant. ‘‘Infelizmente, o timing de suas ações não coincide com o timing da eleição’’, emendou. ‘‘É o sinal amarelo que se acende’’, disse o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE).
Segundo o Ibope, a distância entre Fernando Henrique e Lula gira em torno de oito pontos percetuais. Já o Instituto Vox Populi aponta queda de 40% para 34% nas intenções de voto a Fernando Henrique - enquanto seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, cresceu de 24% para 25%. Esta queda coincide com a piora de outros tucanos nas disputas regionais.
Para os tucanos, é hora de refletir e investigar a fundo as razões do queda na preferência do eleitor aos candidatos do PSDB. Os outros aliados de Fernando Henrique também concordam que o governo não pode subestimar as pesquisas, mesmo estando a certa distância do início da campanha eleitoral propriamente dita. ‘‘O governo não pode absolutamente ignorar esses números, mas pesquisa é como hemograma, registra apenas um momento’’, ressaltou o líder do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA).
O presidente Fernando Henrique Cardoso não quis comentar as pesquisas publicadas ontem na imprensa, que apontam queda nas intenções de votos, transferidas para seu principal adversário, o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Fernando Henrique alegou que ‘‘é muito cedo’’ para se prever resultados. ‘‘Só Deus sabe se vai haver segundo turno, conforme apontaram as pesquisas’’, disse. ‘‘Não estou realmente preocupado com eleição’’, tentou desconversar, alegando que não é candidato.
Segundo o instituto a Vox Populi, as intenções de voto para Fernando Henrique caíram de 36% para 34%, enquanto Lula subiu de 23% para 25%. ‘‘Pesquisa tem o dia inteiro e não é assunto que valha a pena comentar’’, disse Fernando Henrique. ‘‘Como sempre, eu nunca comentei pesquisas porque tem sempre uma pesquisa para cá, outra prá lá.’
A queda da vantagem do presidente Fernando Henrique Cardoso nas pesquisas de intenção de voto sobre o candidato petista à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, ‘‘é a radiografia do descontentamento’’ dos brasileiros com o governo federal. Essa é a versão de Lula para a diferença de nove pontos percentuais que o separa de Fernando Henrique, constatada pelo instituto Vox Populi na sua última pesquisa. Levantamento do Ibope apontou a mesma tendência de que a eleição será decidida em dois turnos.
Para Lula, essa diferença é ainda menor. ‘‘O presidente está caindo de forma mais acentuada do que as pesquisas estão mostrando’’, afirmou Lula. ‘‘Há um acúmulo de insatisfação nos setores intelectuais, sindicais, entre os pequenos e médios empresários e a grande maioria da população’’, disse.

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