Arquivo FolhaJosé Eduardo ainda não divulgou a sua intenção de votoBRASÍLIA - A emenda da reeleição será aprovada no Senado, provavelmente em abril, com ampla margem de votos. É o que demonstra a pesquisa Agência Estado/O Globo realizada na semana passada com os 81 senadores. O apoio à reeleição foi assegurado por 61 senadores, ou 75,3% do total das bancadas. Os que são contrários à iniciativa somam 13 votos, o que corresponde a apenas 16,05% dos votos da Casa. A consulta mostrou que existem quatro indecisos: o líder do PMDB, Jáder Barbalho (PA), e os senadores Levy Dias (PPB-MS), Marluce Pinto (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL). Esses parlamentares não costumam contrariar o governo nas decisões consideradas importantes.
Três senadores não quiseram responder à consulta. Entre eles, o senador Darcy Ribeiro (RJ) do PDT, partido que expulsou de suas fileiras o governador de Mato Grosso, Dante de Oliveira, e quatro deputados que apoiaram a emenda da reeleição na Câmara. Os outros dois são governistas - Lúcio Alcântara (PSDB-CE), que alegou não gostar de pesquisas, e José Eduardo de Andrade Vieira (PTB-PR), que não justificou o procedimento.
O quórum hoje na Casa é praticamente o mesmo que garantiu a aprovação das emendas constitucionais que abriram a economia do País. Há os senadores da esquerda, os dissidentes do PFL e do PMDB e os que aguardam a votação para solucionar uma ou outra pendenga com o governo.
A preocupação do Palácio do Planalto deve se concentrar nos aliados que apóiam a reeleição, mas que querem atrelar a medida a uma reforma política que inclua a desincompatiblização dos governantes que quiserem se reeleger. É o caso dos senadores Jefferson Peres (PSDB-AM), Humberto Lucena (PMDB-PB), Lucídio Portella (PPB-PI), Pedro Simon (PMDB-RS), José Agripino Maia (PFL-RN) e José Bianco (PFL-RO).
Uma das saídas pode ser a de alegar que a medida não consta nem mesmo do relatório da reforma política que está sendo discutida no Senado. Ou reiterar o que já foi dito na Câmara dos Deputados, de que a desincompatibilização afeta a continuidade da administração.
Outro aspecto revelado pela pesquisa é que o cacife do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, contrário à reeleição, não anda muito alto no Senado. Três dos cinco membros de seu partido, o PPB, apóiam a medida, um senador afirma que está indeciso, e apenas o líder, Epitácio Cafeteira (MA), candidato ao governo do Maranhão, assegurou que rejeitará a emenda.

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