Pesquisa revela eleitores pouco conscientes
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma pesquisa divulgada ontem por representantes do Instituto Datacenso e da Federação dos Bancários da CUT/Paraná (Fetec/PR) revelou que apenas 34% dos eleitores lembram em quem votaram na última eleição para deputado federal. O número é o pior em relação às questões referentes ao ''grau de lembrança''. A pesquisa, registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob o número 2.909/2006, ouviu 400 eleitores nos dias 11 e 12 de fevereiro em 22 bairros de Curitiba.
Dos entrevistados, 36% lembram em quem votaram na última eleição para deputado estadual, 43% lembram do escolhido para senador, 69% lembram do voto para governador e 77% se recordam do voto para presidente. De acordo com Cláudio Shimoyama, do Datacenso, os números melhoraram em relação à última pesquisa feita pelo instituto, em 2002, mas ainda não são satisfatórios. ''Os dados refletem pouca consciência da população sobre o processo eleitoral. A maioria das pessoas não está preparada para votar'', afirma.
De acordo com Adilson Stuzata, da Fetec, o problema poderia ser resolvido de maneira simples pelos eleitores: ''Aquela 'cola' que as pessoas costumam fazer com os nomes dos candidatos escolhidos deveria ser guardada, e não só usada em frente à urna'', aconselha.
Além disso, Stuzata afirma que os dados indicam também a prioridade dada para as eleições majoritárias: ''O debate político fica sempre em torno dos cargos considerados principais''. Tal fato, segundo ele, também explica em parte outros números divulgados pela pesquisa em relação ao papel de cada político. Entre os entrevistados, o papel do deputado federal é conhecido por apenas 24% dos eleitores ouvidos pela pesquisa. E somente 26% sabem o que faz um deputado estadual.
''Quando o eleitor nem sabe qual é a função de um deputado, por exemplo, é possível que ele escolha um candidato qualquer, cujo nome ele nem se lembrará na eleição seguinte'', disse Stuzata.
Shimoyama lembra que a questão apresentada aos entrevistados não tinha intenção de também 'testar' o conhecimento daqueles que afirmaram conhecer as funções de cada político. Ou seja, entre os eleitores que disseram saber qual o papel dos governantes, ''devem existir aqueles que na verdade não têm a mínima idéia de quem faz o quê na política'', explicou ele.
Um outro dado chama a atenção de Stuzata ao lembrar números de pesquisas anteriores feitas pelo instituto. Em 2004, apenas 68% dos entrevistados afirmavam não serem influenciados por partidos na hora de votar. Neste ano, 81% dos eleitores disseram que não levam em conta o partido político quando têm que decidir o voto. ''Isso indica que hoje em dia a maioria dos eleitores prefere votar no homem político, e não no partido político'', analisa.
A pesquisa procurou entrevistar eleitores de diferentes sexos, faixas etárias, rendas familiares e escolaridades. ''O perfil do eleitor que não se lembra em quem votou e desconhece as funções dos governantes é, na maioria dos casos, uma mulher de 35 a 44 anos, com renda familiar de R$ 893,00 a R$ 1.915,00 e com o primeiro grau de escolaridade somente'', disse Shimoyama.
Outras entrevistas semelhantes já foram feitas nos últimos 6 anos através da parceria entre Fetec e Datacenso. De acordo com Stuzata, o objetivo das pesquisas é ''introduzir o debate sobre o processo eleitoral para conscientizar a população''.


