''A variável que melhor explica o comportamento eleitoral do londrinense é classe social''. Esta é a conclusão do cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em Londrina, Mário Sérgio Lepre, que analisou, a pedido da Folha, os relatórios das três pesquisas de intenção de voto do Instituto Experience feitas para a parceria Folha/Rádio CBN/TV Tarobá.
''Neste quesito é perceptível o maior apoio ao candidato Antonio Belinati (PSL) nas classes D/E e, com menor intensidade, na classe C. A candidatura do atual prefeito Nedson Micheleti (PT) encontra dificuldade nestas classes menos favorecidas. Evidencia-se aí um voto dos ''descamisados'' para o ex-prefeito'', afirmou Lepre. Na última sondagem, feita entre os dias 15 e 16, Belinati tem 55,2% dos votos nas classes D/E e Nedson, 7,8%. ''Seria interessante termos à mão informações sobre outra variável, qual seja, o grau de instrução. De posse destas duas variáveis seria interessante observar se os menos escolarizados são aqueles que sufragam Belinati. Em caso positivo, evidencia-se algo próximo do populismo, uma vez que os necessitados precisam de soluções para seus problemas imediatos e não se interessam pela qualidade da gestão pública, que, apenas em longo prazo, pode fazer diferença'', complementou.
Outro fator ressaltado pelo professor é o alto índice de eleitores que não conhecem suficientemente os candidatos. Neste quesito, o candidato do PTB, Alex Canziani, tem 38,8%. Belinati é desconhecido por 3%; Elza Correia (PMDB), 31%; Félix Ribeiro (PMN), 74,7%; Barbosa Neto (PDT), 22%; Luiz Carlos Hauly (PSDB), 32,8%; Naudemar Nascimento (PMN), 83,7%, e Nedson, 8%. ''Demonstra uma falta de informação a respeito dos políticos. Isto é grave, pois estes eleitores não podem fazer um voto retrospectivo cuja base principal é o conhecimento das ações pretéritas dos candidatos. É lastimável, para a democracia, que o eleitor tenha que aprender sobre os candidatos apenas na campanha eleitoral. À luz destas informações, deve-se repensar o instituto do voto obrigatório no Brasil'', considera Lepre.
Para Lepre, os números das pesquisas também mostram que o eleitorado londrinense resiste a mudanças. ''Aparenta na realidade não ser crítico. Você tem um ex-prefeito e um prefeito na liderança. O eleitor de certa forma apóia as políticas que já foram implementadas. O eleitor apóia a administração, não quer mudança, não quer experimentar alguma coisa nova.''
Segundo o cientista político, o provável segundo turno das eleições em Londrina ainda não está definido. ''Acho que a campanha esquenta um pouco mais, mas ainda não está polarizada. Há uma tendência à polarização, mas pode ter algumas surpresas, alterações. A tendência, a continuar no andar da carruagem, é a ida para o segundo turno de Belinati e Nedson, mas há possibilidades de surpresas'', afirmou.
A Folha em parceria com a Rádio CBN e TV Tarobá divulgam esta semana a quarta rodada da pesquisa de intenção de voto para a Prefeitura de Londrina.

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