Brasília - A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na última quarta-feira (25) acendeu as luzes no PT e fez a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorar. Apesar de o presidente manter a liderança nos cenários de primeiro turno, o levantamento indicou uma derrota de Lula em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ainda que dentro de margem de erro: 46,3% contra 46,2% do petista.

O resultado deu mais força ao nome de Flávio. Lançada em dezembro, a pré-candidatura do filho de Jair Bolsonaro foi inicialmente vista com reserva entre setores da direita que preferiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ou o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), na disputa. Com o crescimento nas intenções de voto, a pré-candidatura do PL ganha corpo para costurar alianças regionais – na próxima semana, Ratinho Júnior deverá se reunir com Flávio Bolsonaro em Brasília, para articular a formação de um palanque para o presidenciável no Estado.

Um dos líderes no PL no Estado e pré-candidato ao Senado, o deputado federal Filipe Barros diz avaliar que Lula deverá perder ainda mais força, em função de sua alta taxa de rejeição. A desaprovação ao governo chegou a 51,5%, mas o mais preocupante para Lula é a queda na taxa de aprovação, que passou de 48,7% em janeiro para 46,6% neste mês. A desaprovação cresceu 0,8%.

“Ele (Flávio) disparou, a rejeição do Lula tem aumentado cada vez mais. A rejeição do Flávio tem caído. Isso por conta da jovialidade do Flávio, sempre foi o mais político, Lula é um produto vencido que ninguém aguenta mais”, disse Filipe Barros. “A pesquisa tem desenhado um cenário que eu previ assim que o seu nome foi lançado como nosso candidato a presidente pelo Bolsonaro.”

O discurso do “produto vencido” do “novo contra o velho” deverá ser adotado pelo PL até outubro. “As pessoas querem uma pessoa jovem como o Flávio, que fale de inovação, de geração de emprego, de geração de prosperidade, é isso que o Flávio tem feito”, afirma Barros. “Tenho certeza que esse quadro vai se intensificar, inclusive nas próximas pesquisas, com o Flávio crescendo cada vez mais. E o Lula, que é esse produto vencido, sendo enterrado pelas urnas em outubro desse ano.”

Um dos líderes da bancada governista na Câmara, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) minimiza o resultado da pesquisa. Para ele, Lula será reeleito no primeiro turno. “A população, em grande parte, não está pensando em eleição, não está fazendo análise crítica. A análise agora é muito mais emocional, é muito mais dos sentimentos de um país dividido”, diz Dirceu. “O desempenho do presidente Lula não é pouca coisa num país dividido. O presidente Lula não vai só ganhar a eleição, ele vai ganhar no primeiro turno.”

Para o deputado, o cenário econômico e medidas como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda trarão mais popularidade até outubro. “Não vejo um grande erro do presidente Lula que justifique esse resultado da pesquisa. As coisas não estão todas equacionadas, a vida da população não está algo maravilhoso. Mas há sim um crescimento, há sim uma mudança, o aumento da renda, o aumento do salário. Não sou eu que estou falando, os fatos mostram isso.”

A pesquisa mostra Lula na liderança em todos os cenários de primeiro turno, com 45%. Flávio tem entre 37,9% e 39,5% das intenções de voto, em diferentes cenários. No cenário com Ratinho Junior, o governador do Paraná aparece com 3,8%, em empate técnico com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

O AtlasIntel ouviu 4.986 pessoas em todas as regiões do país, entre 19 e 24 de fevereiro. A margem de erro é estimada em 1 ponto percentual para mais ou para menos.

SUCESSOR DE RATINHO: GUTO SILVA

Ratinho Junior vai se reunir com Flávio Bolsonaro na próxima semana, em Brasília, para tratar da formação das eleições de outubro. Anotações do senador feitas durante uma reunião do PL, reveladas nesta semana pelo jornal “Folha de S. Paulo” traçam uma séries de estratégias estaduais para dar força à candidatura.

No Paraná, as anotações de Flávio Bolsonaro indicam que o candidato escolhido por Ratinho Junior para sua sucessão será o secretário das Cidades, Guto Silva. Com isso, perdem espaço o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, hoje secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável.

Outra opção de Bolsonaro para garantir um palanque no Estado seria a candidatura do senador Sergio Moro (União Brasil) ao governo. Moro, no entanto, enfrenta dificuldade para compor com o PP – o partido está negociando a formação de uma federação com o União Brasil. Segundo o principal líder do PP no Paraná, o deputado federal Ricardo Barros, o partido rejeitou por unanimidade o apoio à candidatura de Moro.

Para o Senado, o PL deverá apoiar somente a candidatura de Filipe Barros. Cristina Graeml (União Brasil), é vista como um problema para a campanha de Barros. Ela tentou conquistar o apoio de Jair Bolsonaro na eleição municipal em Curitiba em 2024 e a tendência é que os dois disputem os votos da mesma faixa do eleitorado. Outro citado por Bolsonaro é o ex-procurador e ex-deputado estadual Deltan Dallagnol (Novo). Flávio escreveu que Dallagnol “é o candidato do Ratinho” e que “se garante”.

Entre as principais lideranças política do Estado, entretanto, a candidatura de Ratinho Junior à Presidência ainda não pode ser descartada. Para Ricardo Barros, a possibilidade de o governador ser o candidato do PSD ainda é real. “Se o partido dele decidir que vai, de fato, lançar uma candidatura, ele certamente vai estar na frente das pesquisas. Eu já falei para ele que o Lula perdeu três para ganhar uma. Ele é novo, não tem nada a perder. E pode ganhar.” Atual presidente, Lula foi derrotado nas três primeiras vezes que disputou o Planalto. Em 1989, perdeu para Fernando Collor e depois para Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998.

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