O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, que considera a idéia da consulta ‘‘inteiramente descabida’’, acredita que as agências de classificação de risco levarão em conta a iniciativa. ‘‘Imagine o que as agências poderão fazer se o plebiscito da CNBB tiver como resultado que a dívida externa não deve ser paga. Me ocorre perguntar o que o País vai ganhar com isso, além de um rating pior?’’, indagou Franco, em artigo publicado na edição do último domingo de ‘‘O Estado de S. Paulo’’. A agência de ratings Standard & Poor’s não quis fazer comentários sobre a consulta.
‘‘Não acredito que o investidor estrangeiro fique nervoso com a situação até porque ele tem consciência de que a dívida externa brasileira já não é um assunto problemático’’, disse, em Nova York, o economista-senior do banco de investimentos Lehman Brothers, Paulo Vieira da Cunha. A avaliação foi compartilhada pelo diretor de pesquisa para renda fixa do banco Santander, Chip Brown. ‘‘Até o momento eu não ouvi falar do plebiscito que a CNBB ou outras organizações estejam promovendo. Ninguém no mercado está prestando muita atenção a este assunto’’, afirmou o analista.
Em Londres, os analistas ouvidos também demonstram que não estão preocupados com a consulta organizada pela CNBB. ‘‘Na verdade, ninguém está prestando atenção nisso’’, disse Amália Estenssoro, da BBV Securities. ‘‘É o tipo de coisa que não perturba ninguém, assunto de política interna brasileira sem maiores implicações no momento. Quem está organizando o plebiscito são pessoas da oposição e ninguém que está no poder, essa é a leitura por aqui.’’ Dois outros analistas desconheciam completamente o plebiscito. ‘‘Os investidores ficariam preocupados se houvesse uma pessoa do governo, de peso, que apoiasse o plebiscito, mas não parece o caso, ninguém está acompanhando isso’’, disse um deles. (A.E.)

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