Pesquisa mostra volta da inflação
Agência Estado
De Brasília
A população já comprova a volta da inflação, conforme pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) em parceria com o Instituto Vox Populi, nos dias 6 e 7 deste mês, com 2000 pessoas em todas as regiões do País. Para 75% dos entrevistados (1.500 pessoas), a inflação está de volta, enquanto 14% acreditam que isto ocorrerá nos próximos meses. Apesar disso, o número de pessoas que consideram o governo Fernando Henrique Cardoso ruim ou péssimo caiu três pontos, de 62% para 59%.
Segundo o presidente da CNT, Clésio Andrade, a população está sentindo no bolso o aumento de preços. Conforme os dados do Vox Populi, para 93% dos entrevistados o preço dos produtos, de forma geral, está aumentando, enquanto somente 6% acreditam permanecer o mesmo e para nenhum deles está diminuindo.
Encabeçam a lista dos itens que estão aumentando muito os remédios (citados por 84% dos entrevistados); gasolina/álcool (81%); e alimentos (71%). Médicos/dentistas, transportes, roupas/sapatos e produtos de higiene/limpeza vêm na sequência indicados por 61%, 59% e 55% das pessoas, respectivamente, como itens que estão reajustando muito seus preços.
Os entrevistados do Vox Populi também se manifestaram sobre aumento dos juros. O diretor-presidente do instituto, João Francisco Meira, ressaltou que a população ouvida está consciente do perigo dos juros, tanto que 76% dos entrevistados não fizeram compras pelo crediário no mês passado.
Já para os 17% que fizeram compras pelo crediário, não houve queda nas taxas de juros, enquanto somente 6% afirmaram ter notado redução.
Meira disse que a recuperação do desempenho do presidente Fernando Henrique Cardoso ainda é avaliada sob a ótica de assuntos importantes para o País. Utilizando uma escala de um a cinco, onde um é péssimo e cinco ótimo, os entrevistados deram uma nota de 2,13 para Fernando Henrique com relação à suas ações para estabilizar a economia; 2,12 com referência ao desenvolvimento do País; 1,90 sobre combate à corrupção e 1,56% no combate ao desemprego.
A reversão do índice de queda só vai ocorrer quando o presidente der sinais concretos de que há condições econômicas para sustentar o crescimento do País, afirmou. Para o presidente da CNT, Clésio Andrade, a pequena melhora também está associada à comunicação do governo que passou a ser mais eficiente nos dois últimos meses.
Com relação ao índice de satisfação do cidadão, que nesta rodada da pesquisa procurou ouvir os entrevistados sobre seu grau de satisfação com o Estado e os serviços que recebe, este ainda continua o mais baixo desde que os primeiros resultados foram divulgados, em maio de 1998.
Em uma escala de 40 a 200, onde a média (nem satisfeito nem insatisfeito) é 120, a nota obtida foi 106,45 pontos, contra 106,51 obtidos em outubro último. Nesta esfera, os governadores estaduais também tiveram uma queda na avaliação, que caiu de 33% em agosto (quando a mesma pergunta foi formulada) para 32% neste mês; na regular, que passou de 42% para 41%, e na negativa, que subiu um ponto, passando de 23% para 24%. Os governadores também estão tendo um desgaste, o que é natural, observou Meira.
O levantamento também mostra que a população está buscando uma liderança nova, segundo o diretor do Instituto. Isso fica evidente na queda registrada na preferência entre os três principais possíveis candidatos a presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Itamar Franco (PMDB) e Ciro Gomes (PPS) com a entrada do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), na disputa.





