Pesquisa mostra queda na popularidade de Lula
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terça-feira, 21 de outubro de 2003
Agência Estado 
São Paulo- A avaliação da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu quase sete pontos porcentuais, a maior registrada pela pesquisa da Confederação Nacional do Transportes (CNT) encomendada ao Instituto Sensus, desde o início do governo. O levantamento, divulgado ontem, mostra que a avaliação positiva diminuiu de 48,3%, em agosto, para 41,6% em outubro, mas especialistas em pesquisas de opinião pública disseram que, apesar do declínio, a popularidade da gestão está num nível ''razoável''.
O índice registrado pela CNT/Sensus é o menor desde março, quando foi divulgada a primeira sondagem e o Poder Executivo foi apontado como positivo por 45% dos entrevistados. Depois, em abril, esse indicador subiu para 47,7%, e passou para 51,6% no mês seguinte. Começou a cair em julho, quando ficou em 46,3%, voltou a subir em agosto, registrando 48,3% e caiu novamente neste mês.
O desempenho pessoal de Lula também apresentou queda e passou de 76,7% para 70,6%. Em relação a março, entretanto, a aprovação caiu 8,3 pontos porcentuais.
O presidente da CNT, Clésio Andrade, atribuiu a queda de popularidade do Executivo e de Lula à morosidade das reformas constitucionais - tributária e da Previdência -, à turbulência na aprovação das propostas na Câmara, à demora na solução de questões essenciais, como o desemprego, e ao episódio envolvendo a ministra da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva. Ela viajou a Buenos Aires para um encontro de evangélicos e outro, oficial, com a ministra de Desenvolvimento Social daquele país, Alicia Kirchner. Benedita tem sido criticada por ter usado recursos públicos para tratar de interesses pessoais na Argentina.
''A população ainda não tem respostas para questões importantes como emprego'', justificou Andrade. ''Observamos uma tendência de queda de 6% a 7% nas avaliações política, econômica e social do governo, o que reflete na avaliação pessoal do presidente Lula.'' Equilíbrio - A especialista em pesquisas de opinião pública Fátima Pacheco Jordão disse que a queda de popularidade governo e do presidente é significativa, mas está num ritmo ''razoável''. De acordo com Fátima, o resultado foi influenciado pela sensação de que questões como desemprego, violência e pobreza pioraram nos últimos seis meses, porém, como a expectativa em relação ao futuro continua positiva, equilibrou o declínio.
''Mesmo nessas questões, as pessoas ainda acreditam que as coisas vão melhorar, mas, no conjunto do governo, acham que piorou nos últimos seis meses'', disse. ''Ainda não perderam a esperança e quem mantém essa flâmula é o discurso pessoal do presidente, que está bastante sintonizado com os anseios da população.''
A avaliação da equipe de governo de Lula também piorou na comparação aos levantamentos anteriores. Os índices de ótimo e bom ficaram em 40,7% contra os 47,9% de agosto. Em março, o desempenho do conjunto dos ministros foi apontado como ótimo e bom por 54,3% dos entrevistados.


