Pesquisa mostra excesso
de partidos no Brasil
A fragilidade dos partidos políticos do Brasil é um dos mais graves problemas políticos do País para 62% dos entrevistados na pesquisa da professora Luzia Herrmann de Oliveira e dificulta o processo de consolidação democrático. Mais de 50% dos entrevistados afirmaram que entre três e seis seria o número ideal de partidos para o Brasil, uma realidade completamente díspar da atual. O País tem 31 partidos políticos. ‘‘Esse excesso favorece os partidos de aluguel e isso tem de acabar para fortalecer o sistema’’, defende.
Para ela, até seis seria um bom número. A tese de doutorado também revelou que mais de 50% dos entrevistados são favoráveis à implantação da cláusula que impede a representação na Câmara aos partidos que não obtenham 5% do total nacional de votos.
Para 45% dos entrevistados, o melhor sistema é o distrital misto (uma combinação do sistema proporcional com o distrital). Uma parcela significativa, 27%, optou pelo sistema distrital puro. São os liberais que preferem o sistema distrital-majoritário. A esquerda e o centro optaram mais pelo sistema misto.
Uma das respostas mais consensuais diz respeito à representação dos estados na Câmara: 92% das lideranças são a favor da exata proporcionalidade entre o número de cadeiras por estado e número da população. Esse percentual de preferências se mantém em todos os sub-agrupamentos (ideológicos, partidários, sociais).
A ampliação dos direitos políticos é outro ponto que recebeu boa aceitação. A extensão do direito de voto aos analfabetos e aos maiores de 16 recebeu mais de 60% de opiniões favoráveis. O voto facultativo recebeu apoio ainda maior: 73%. Para 89% dos entrevistados, a democracia é sempre preferível. A professora também perguntou na pesquisa sobre o melhor sistema de governo: 66% responderam o parlamentarismo. ‘‘A relação do presidente da República com o Congresso é necessariamente fisiológica e o parlamentarismo minimizaria esse problema’’, aposta.
A professora é otimista, ‘‘mas com calma’’, em relação ao processo de politização da comunidade. ‘‘Temos de levar em conta que o País vive em uma democracia há pouco mais de dez anos’’, analisa. (P.Z)

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