Pesquisa Folha enfurece PT em Curitiba
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sexta-feira, 20 de outubro de 2000
Valmir Denardin e Rubens Burigo Neto De Curitiba 
A uma semana do segundo turno das eleições, a Pesquisa Folha divulgada ontem sobre a preferência do eleitorado de Curitiba provocou reações opostas entre os comandos de campanha dos candidatos Ângelo Vanhoni (PT) e Cassio Taniguchi (PFL). O grupo de Vanhoni reagiu com críticas severas. Já o grupo do prefeito comemorou o resultado. Pela primeira vez no segundo turno, o pefelista aparece na frente, com 48,7% das intenções de voto, contra 42,5% de Vanhoni. A consulta foi realizada quarta-feira, com 612 eleitores da Capital.
A pesquisa aponta uma virada de Cassio. Na primeira rodada, realizada no último dia 5, o pefelista tinha 38,7% das preferências, contra 47,9% do petista. Para o consultor da Pesquisa Folha, o professor Alexandre do Espírito Santo, a situação pode refletir ainda um quadro próximo do empate técnico, já que a margem de erro é quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.
No PT, as críticas foram feitas pelo coordenador geral da campanha de Vanhoni, Jorge Samek. Em entrevista coletiva, ontem à tarde, ele afirmou que a Folha estaria fazendo picaretagem. A partir do ano que vem vou introduzir o Troféu Pinóquio. O primeiro prêmio vai ser para o instituto de pesquisas da Folha do Paraná, afirmou Samek, vereador reeleito no último dia 1º. Ele disse também que a Folha é um instituto sem credibilidade, que só erra (nas pesquisas de intenções de voto que realizou no primeiro e no segundo turnos).
Por ela, o Hauly (Luiz Carlos Hauly, candidato a prefeito de Londrina pelo PSDB, que liderava todas as pesquisas da Folha e dos outros institutos e não passou para o segundo turno) era prefeito. Em Maringá, o Jairo Gianoto (candidato do PSDB, que também liderava as pesquisas e não chegou ao segundo turno) era prefeito. O Nedson (candidato do PT em Londrina) não ia para o segundo turno. O José Cláudio (candidato petista que disputa o segundo turno em Maringá) não existia. De acordo com Samek, a Folha tenta, no segundo turno, confundir a opinião pública.
Ontem pela manhã, em entrevista à Rádio CBN, Samek insinuou que a pesquisa da Folha poderia ter sido vendida. Estão vendendo pesquisas. É uma armadilha ardilosa preparada por nossos adversários, declarou. À tarde, na coletiva, ele insistiu no argumento, mas sem confirmar a acusação. Alguém sempre paga uma pesquisa, porque não existe pesquisa gratuita. Não sei se é o próprio jornal. Tem interesses por trás disso. Eu não sou ingênuo. Tem linguiça por trás dessa farofa.
Em outro trecho da entrevista, o vereador afirmou: Está (o jornal) a serviço de quem? Da informação não é. Com o objetivo de informar, ele desinforma. E essa desinformação serve a alguém. Samek afirmou também que os institutos de pesquisa, ao lado do PFL, foram os grandes perdedores dessa eleição. Ele defendeu a instalação de uma CPI para investigar esses institutos.
O coordenador da campanha de Cassio, o secretário licenciado dos Transportes, Heinz Herwig, considerou o resultado da Pesquisa Folha uma boa notícia. Os resultados confirmaram o que estamos observando desde a segunda semana depois do primeiro turno. Isso prova que nossos programas no horário eleitoral e nossas propostas estão certos, destacou Heinz.
Além do crescimento de dez pontos percentuais na intenção de votos para Cassio, a Pesquisa Folha apontou ainda uma redução do número de indecisos, que caiu de 8,9%, no dia 5, para 7%, na quarta-feira.
Também diminuiu o número de eleitores que afirmaram que vão votar em branco no segundo turno. Eram 3,1% na primeira pesquisa e, agora, somam apenas 0,7% das intenções de votos. O número de indicações para os votos nulos caiu de 1,5% para 1,1%. O coordenador da campanha pela reeleição assegurou que não será alterada a linha dos programas eleitorais na reta final da campanha. Agora, claramente, é uma posição contra a outra. Nós vamos continuar mostrando o que fizemos na prefeitura e não temos vergonha nenhuma em mostrar quem faz parte do nosso grupo político, provocou.
Heinz criticou a revolta dos adversários com a Pesquisa Folha. Para eles a pesquisa só vale quando os resultados os favorecem. Eles só acreditam no que vem de São Paulo. Entre uma pesquisa feita em São Paulo e outra feita pela Folha do Paraná, eu fico com a realizada por um jornal paranaense, que conhece muito mais as coisas daqui, afirmou.


