A bancada paranaense no Senado é enfática nas críticas à CPMF quanto ao fato de a tributação, há muito, ter se desvirtuado dos investimentos em Saúde, sua finalidade original. E é justamente esse o pomo de discórdia que, na avaliação dos parlamentares, justifica agora a resistência deles à prorrogação da cobrança para até 2011. Entretanto, há quem condicione o voto na proposta do governo a adequações que garantam, se não a redução da alíquota de 0,38%, pelo menos que a arrecadação não se esvaia como cálculo de superávit ou como custeio da máquina pública. E tanta negociação dentro e fora dos bastidores não é para menos: anualmente, a CPMF que nasceu provisória representa a fábula de R$ 40 bilhões/ano.
Para o senador Álvaro Dias (PSDB), que disse ser voto contrário à prorrogação, a tributação - criada durante a gestão tucana - representa o que ele chama de ''modelo regressivo'' ao País. ''Porque penaliza mais quem ganha menos. Para se ter uma idéia, há estudos de economistas apontando que quem ganha até dois salários mínimos mensais (R$ 760) gasta 2% disso com CPMF; quem ganha 20 salários (R$ 7,6 mil) por mês, gasta 1,2%'', citou.
Apesar de ao longo de praticamente toda a semana passada líderes do PSDB terem negociado com o governo a prorrogação da medida, Alvaro acredita que o partido votará contra. ''Tudo não passou de estratégias visando à reforma tributária. Se fosse para prorrogar por mais um ano, até votaríamos a favor - mas como o Planalto está seguro de que passa, sequer deverá mexer na proposta do Senado sobre a emenda (constitucional) 29'', disse. O tucano se refere ao pedido da Casa pelo aumento de R$ 20 bilhões anuais nos gastos com Saúde, o que elevaria o montante para R$ 67 bilhões. A emenda foi aprovada essa semana pela comissão de Assuntos Sociais do Senado.
A discussão pela aprovação da emenda 29 e a negociação da alíquota da contribuição, ao longo do próximo mês, são, na avaliação do senador Flávio Arns (PT), os fatores que determinarão se ele vota ou não com o governo. ''Definitivamente, sou contra essa tributação, pois ela faz com que os preços dos produtos na cadeia produtiva aumentem significativamente, e também porque não há o retorno que deveria ter à Saúde'', comentou. Para o petista, contudo, ''é complicado, temerário'' derrubar a cobrança e perder os R$ 40 bi que ela gera.
''Isso poderia afetar sérios desafios. Por isso, defendo a negociação: é um valor importante, mas são igualmente importantes a aprovação da emenda 29 e a desoneração dos gastos com pessoal nesse governo'', declarou.
Já o senador Osmar Dias (PDT) também se diz contra a prorrogação, mas defende que alguns pontos sejam negociados. Um deles, citou, é a redução da alíquota. ''O ideal seria chegarmos a 2011 com no máximo 0,15%'', ilustrou, com dados de uma emenda assinada por ele. ''Mas o principal é o Senado conseguir a prestação de contas mensal de que a verba não será desviada da Saúde'', avaliou.

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