Pesquisa nacional realizada pelo Instituto Vox Populi mostra que o brasileiro está insatisfeito com o trabalho do governo para resolver os problemas do País. Para a maioria dos entrevistados, o governo tem-se empenhado pouco para acabar com a miséria (81%), a violência (79%), enfrentar as drogas (73%), melhorar a qualidade do sistema de saúde (71%), a situação dos aposentados (70%) e dar oportunidades de trabalho (69%). Para o levantamento, o décimo de uma série feita pelo Vox Populi por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), foram entrevistadas 2.001 pessoas, nos dias 19 e 20.
‘‘Isso acaba influindo no estado de humor da população, criando um índice baixo de satisfação do cidadão com o País e as instituições’’, afirmou o diretor-presidente do Vox Populi, João Francisco Meira. ‘‘O novo Ministério é político e deverá ficar preocupado com a aprovação das reformas, que não dão resultados no curto prazo’’, avaliou o presidente da CNT, Clésio Andrade. ‘‘O povo está mais pragmático e preocupado com resultados, e a lua-de-mel com o governo está-se reduzindo.’’
Os brasileiros estão insatisfeitos também com o nível de desenvolvimento do País. Para 50%, ele está parado. E o porcentual dos que acham que o Brasil está ‘‘andando para frente’’ diminuiu (passou de 30% em novembro para 25% em dezembro) e o dos que consideram que o País está ‘‘andando para trás’’ aumentou (passou de 20% para 23%).
Segundo a pesquisa, o índice de satisfação, medido em uma escala de 1 a 200, passou de 116,79 em novembro para 116,04 em dezembro, abaixo da média de 124, na qual o Vox Populi identificou as pessoas que ‘‘não estão satisfeitas nem insatisfeitas’’. A pesquisa identificou também que 54% dos entrevistados sentem-se satisfeitos em morar no Brasil.
A maior parte dos entrevistados, 36%, acha que o segundo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso deverá ser igual ao primeiro. O número de pessoas que acham que será melhor é igual ao dos que acham que será pior: 28%. Segundo Andrade, o baixo ânimo em relação ao novo governo decorre da falta de confiança nas políticas sociais e de dúvidas sobre a conduta ética dos integrantes do governo, embora exista um sentimento de que a estabilidade econômica foi importante.
Dois dados obtidos pela pesquisa que, segundo o presidente da CNT, são preocupantes foram a elevação do número de pessoas que acham que a impunidade cresceu - passou de 44% em setembro para 58% em dezembro - e dos que crêem em aumento da corrupção - pulou de 56% para 72%.

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