Brasília - O caso de corrupção nos Correios provocou uma queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme dados da pesquisa CNT (Confederação Nacional do Transporte) em parceria com o instituto Sensus divulgada ontem. Em maio, 57,4% dos entrevistados aprovaram o desempenho do presidente, contra 60,1% registrados em abril. Esse é o segundo pior percentual da popularidade de Lula em seu governo.
O menor valor foi registrado em junho de 2004 - 54,1%. Na mesma tendência, a desaprovação ao presidente subiu de 29% em abril para 32,7% em maio. A pesquisa mostrou ainda que a avaliação positiva do governo oscilou de 41,9% em abril para 39,8% em maio. A avaliação negativa, por sua vez, variou de 16% para 18,8%.
As duas quedas - na popularidade do presidente e na avaliação do governo - seguem uma tendência iniciada em setembro. Desde junho de 2004, quando o governo teve suas piores avaliações, os percentuais mantinham uma trajetória de alta. Em setembro, o cenário sofreu uma inversão. Desde então, as avaliações caíram. A piora da avaliação do governo Lula na pesquisa reflete também nas possíveis disputas eleitorais de 2006. Nas pesquisas anteriores, o presidente se reelegeria em primeiro turno quaisquer que fossem seus adversários.
Na pesquisa deste mês, Lula venceria, em primeiro turno, Anthony Garotinho (PMDB), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (PFL). Porém, Lula iria ao segundo turno numa possível disputa com o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB). De acordo com a pesquisa, Lula teria 37,1% dos votos no primeiro turno contra 17,7% de Serra. No segundo turno, o presidente se reelegeria com 49,7% contra 27,1%.
A pesquisa CNT/Sensus mostra ainda que 86% dos que ouviram falar das denúncias de corrupção nos Correios defendem a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as supostas irregularidades. A sondagem detectou ainda um aumento na percepção de que cresceu a corrupção no atual governo. Em pesquisa realizada em março de 2004, 25,2% dos entrevistados diziam que a corrupção tinha aumentado e agora esse número passou para 31,2%.
Nesse grupo, o número dos que acham que a corrupção aumentou muito passou de 11,1% para 13% e os que acham que aumentou um pouco subiu de 14,1% para 18,2%. O grupo dos que consideram que a corrupção ''ficou como sempre esteve'' caiu de 51,3% para 45,4%, mas também cresceu de 16,5% para 17,4% o dos que avaliam que a corrupção caiu na atual gestão. Nesse grupo, os que julgam que a corrupção diminuiu um pouco caiu de 15,1% para 14,8%, mas os que acham que diminuiu muito subiu de 1,4% para 2,6%.
Mas, curiosamente em outra pergunta, na qual há uma comparação explícita entre a atual administração e a anterior, houve um crescimento nas duas avaliações. Os que acham que a corrupção hoje é maior subiu de 21% em março de 2004 para 26,7% em maio deste ano. Já os que consideram que é menor cresceu de 26,9% para 31,4%. Os que julgam que está igual ao governo anterior caiu de 44% para 34,4%.

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