A disputa pela Prefeitura de Londrina neste segundo turno deve ser acirrada entre os candidatos Alexandre Kireeff (PSD) e Marcelo Belinati (PP), conforme os números divulgados ontem pela pesquisa de intenção de voto da Rádio Paiquerê/Instituto Portinari. Marcelo aparece com 41,3% das intenções e Kireeff está com 37%. Se considerados apenas os votos válidos, a diferença entre os dois tem leve alteração, sendo 52,7% contra 47,3%, respectivamente. O levantamento, registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná sob o número PR-00677/2012, ouviu 900 pessoas entre os dias 14 e 16 de outubro e a margem de erro é de 3 pontos percentuais.
Ao questionar qual seria a opção dos entrevistados que votaram nos candidatos derrotados no primeiro turno, o instituto identificou possíveis migrações do eleitorado nesta segunda etapa (veja quadro). Para o professor de Ética e Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Bianco Zalmora Garcia, o item que mais chamou a atenção é o posicionamento dos eleitores do ex-prefeito Barbosa Neto (PDT). ''Dada a postura populista dele, era de se esperar que haveria uma preferência pelo Belinati, o que não aconteceu.'' A explicação, segundo ele, ''está no fato de que as gestões populistas dessa cidade não são alavancadas pelo eleitor de baixa renda, baixa escolaridade, e sim por setores da sociedade que muitas vezes se aproveitam dessas gestões''.
Embora tenha sido a primeira pesquisa de intenção de votos neste segundo turno, Garcia prevê uma disputa acirrada e com estratégias já sendo demonstradas pelos dois concorrentes. ''Kireeff tenta incorporar nele essa ruptura com o 'balaio de gatos' que existe na política local há 20 anos, onde existem coligações difíceis para o eleitor entender'', enquanto Marcelo ''tenta transformar o discurso de independência de Kireeff em isolamento, na medida em que mostra ter o apoio do governador Beto Richa (PSDB), que não está isolado''.
Na avaliação do especialista, a busca de votos mais complicada para o pepista nesta fase da eleição está no grupo que optou pela petista Márcia Lopes, que ficou em terceiro lugar. ''É um grupo que tem resistência ao Belinati, também em função da presença do governador, do PSDB'', citou, lembrando das divergências entre os dois partidos no cenário nacional.
O professor de ciência política Mário Sérgio Lepre atribuiu o crescimento de Kireeff, considerado uma surpresa pelo desempenho já no primeiro turno, à novidade que ele representa, encarnando a figura de um ''não político'' ao salientar sempre o discurso da ''gestão técnica''. ''É um discurso que talvez a população quisesse ouvir acreditando em uma gestão totalmente técnica para superar as crises políticas'', opinou. ''Porém, esse discurso pode ser facilmente descontruído se considerarmos que ele já disputou eleição, já trocou de partido político e terá que escolher um secretariado, que certamente terá um viés político.''
Para o professor, Kireeff, que passou incólume no primeiro turno, possivelmente subestimado pelos outros candidatos, agora terá que ''se apresentar de fato e dizer a que veio''. Lepre ainda disse que Marcelo não cresceu tanto porque tem seu ''eleitorado cativo''. ''A tendência era realmente que os votos dos outros candidatos não migrassem para o Marcelo.'' (Colaborou Loriane Comeli/Reportagem Local)

Imagem ilustrativa da imagem Pesquisa aponta disputa acirrada em Londrina
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