Pesquisa aponta confiança na Justiça
Patrícia Zanin
De Londrina
Entre os Três Poderes, a população de Londrina tem mais confiança no Judiciário. É o que revela um levantamento feito pela Alvorada Pesquisas a pedido dos juízes e divulgado ontem à Folha pelas juízas do Trabalho Ana Paula Sefrim Saladini e Eliane de Sá Marsiglia. De acordo com a consulta, realizada na quinta-feira, dia nacional de mobilização dos magistrados, o índice de confiança da comunidade no Judiciário é de 61,6% contra 44% do Legislativo e 35,6% do Executivo.
A pesquisa ouviu 250 pessoas, das quais 29,6% disseram não confiar na Justiça; 8,8% não souberam responder. Em relação ao Legislativo, 45,6% não confiam nos deputados federais, estaduais, senadores e vereadores; 10,4% não responderam. No Executivo, a desconfiança nos governos federal, estadual e municipal é de 50,4%; 14% não responderam.
Apesar da aprovação do Judiciário e de 48% dos entrevistados achar que os juízes têm direito de protestar contra a falta de reajuste salarial, 45,2% dos consultados acha que os magistrados não têm direito a reajuste, enquanto para 43,2%, eles deveriam ter reajuste. Os outros 11,6% não responderam. A questão salarial é só um dos pontos da nossa reivindicação. Muita gente acha que juiz não deve ter aumento porque ganha bem, mas estamos há cinco anos sem reajuste e, se compararmos ao salário mínimo, por exemplo, realmente o salário do magistrado parece coisa do outro mundo. Porém, este tipo de comparação é inadequado, argumentou Eliane.
A pesquisa revela ainda que 75,2% aprovam a Justiça do Trabalho; 16% reprovam e 8,8% não responderam. Para quem foi cogitada de extinção, o resultado é uma vitória, analisou Ana Paula, que também é representante regional da Associação dos Magistrados do Trabalho do Paraná.
Dos 250 entrevistados, 69,2% responderam que nunca recorreram ao Judiciário Trabalhista; 28,8% já recorreram e 2% não respondera. Do total de consultados, 70% não tiveram os direitos violados; 28,4% já tiveram e 1,6% não opinou.
A Justiça do Trabalho de Londrina tem dez juízes, dos quais seis mulheres e quatro homens. Dez mil processos são recebidos por ano. Segundo Eliane, o prazo médio para a concessão de sentenças é de 120 dias. A maior demora, segundo ela, ocorre na fase de execução. A lei permite, criticou. Existem em Londrina 12 mil processos em fase de execução. O número de recursos pode chegar a dez, de acordo com a juíza.
Há anos estamos reivindicando uma reforma no Judiciário, afirmou Ana Paula. Segundo ela, a reforma contemplaria o fim dos classistas, maior estrutura para a Justiça, diminuição do número de recursos, reforma do Código Civil, além da criação do Código Processo do Trabalho. A Justiça do Trabalho foi criada para facilitar a vida do empregado, mas utiliza a legislação civil, que protege o devedor, analisou Eliane.
Na quinta-feira, um grupo de juízes de Londrina visitou a Folha: Emília Semeão Albino Sato, Ana Paula Saladini, Neide Fugivala Pedroso, Lídia Maejima, Dimas Ortêncio de Melo e Hayton Lee Swain Filho. Eles foram recebidos pelo presidente do Conselho de Administração, jornalista João Milanez.





