Peruanos reagem a toque de recolher
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segunda-feira, 17 de junho de 2002
France Presse 
Lima - Violentas manifestações ocorreram ontem em Tacna, extremo sul do Peru e fronteira com o Chile, depois que o governo impôs o estado de emergência e toque de recolher noturno no departamento de Arequipa, para controlar protestos contra as privatizações, informaram fontes regionais.
Saquearam locais públicos, a situação é bastante grave, o povo está se rebelando e está a caminho do aeroporto para ocupá-lo, disse o prefeito de Tacna, Luis Torres, que está em Lima e disse à emissora da capital RPP ter recebido informes de graves desordens naquela cidade.
Os manifestantes queimaram pneus e bloquearam acessos à cidade com grandes toras e troncos em vários trechos da estrada Panamericana Sul, disseram fontes regionais da imprensa.
Os protestos em Arequipa contra a privatização de duas empresas de energia elétrica do sul deixam até o momento um saldo de um morto e cem feridos.
Os comerciantes, entre 3 mil e 4 mil pessoas, apedrejaram a maioria dos locais públicos do centro da cidade, como as sedes da estatal Rádio-Televisión-Peruana (RTP), da Superintendência Nacional de Administração Tributária (Sunat) e da Municipalidade Provincial de Tacna.
A mobilização foi organizada pela frente patriótica de Tacna, que reúne sindicatos e organizações base da cidade, em solidariedade com Arequipa, que desde a tarde de domingo está sob estado de emergência pelo decreto do governo que encarregou o Comando Político-Militar do controle da cidade. O aparato impôs toque de recolher noturno.
Peço ao presidente Alejandro Toledo que revise a decisão de privatizar as empresas Egasa e Egesur, disse o prefeito de Torres.
A polícia redobrou a vigilância no aeroporto de Tacna ante versões de dezenas de manifestantes que se dirigiam ao lugar para ocupá-lo, como ocorreu em Arequipa durante o fim de semana.
Informes do terminal aéreo indicaram que as atividades não foram suspensas.
No centro da cidade diversos colégios estatais e privados suspenderam as classes escolares, enquanto que os mercados optaram por fechar suas portas ante possíveis saques.
Em Arequipa, ao sul de Lima e segunda cidade do país, há um clima de tensão. Ao meio dia dezenas de pessoas tentaram realizar uma manifestação de protesto, mas foram reprimidas pela polícia.


