Perto do impeachment, sessão na AL cai por falta de quórum
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quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Mariana Franco Ramos Reportagem Local 
Curitiba - A votação do impeachment de Dilma Rousseff (PT) no Senado interferiu também nos trabalhos da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná nesta quarta-feira (31). Iniciada perto das 10h, a sessão deliberativa de ontem acabou caindo devido à falta de quórum uma hora depois, no exato momento em que os senadores começavam a se reunir em Brasília. O regimento interno da AL exige a participação de pelo menos 28 dos 54 deputados para deliberação, sendo que apenas 26 seguiam em plenário naquele momento.
Com isso, dois dos dez projetos elencados na ordem do dia não foram apreciados: um de Tião Medeiros (PTB), sobre concessão de título de utilidade pública, e outro de Maria Victoria (PP), garantindo leito especial em hospitais a mães de natimortos. Eles entrarão na pauta na próxima segunda-feira. O próprio presidente da Casa, Ademar Traiano (PSDB), previu que o afastamento de Dilma permearia os debates. "O processo de impeachment acaba, queira ou não queira, refletindo aqui. Imagino que os parlamentares queiram acompanhar isso e aí tenho certeza absoluta que a sessão será extremamente curta", afirmou, antes da reunião.
Para o tucano, que comanda também o PSDB estadual, o Brasil passa agora a viver "um novo tempo, de esperança e retomada da credibilidade da população, dos organismos internacionais e dos investidores". Na avaliação dele, a classe política brasileira precisa fazer uma "retomada total dos conceitos de se fazer política. Todos estão imbuídos em mostrar à sociedade que ainda é possível acreditar nos políticos".
Líderes de diferentes legendas também comentaram as consequências do processo de impedimento. "É um capítulo importante na história política e democrática do País, mas sobretudo é um dia de avaliação do modelo democrático nosso que está falido; esse modelo de coalizão presidencialista, maniqueísta, quase binário e primitivo de direita e de esquerda, do bem contra o mal", disse Guto Silva (PSD). Favorável à cassação de Dilma, ele falou que o Brasil precisa "virar a página" e pensar em alternativas para avançar.
Também defensor do impeachment, Felipe Francischini (SD) tem posicionamento bem mais comedido que o pai, Fernando Francischini (SD), um dos principais adversários da petista na Câmara. Ele afirmou que os brasileiros não estão fazendo as reflexões necessárias acerca do momento em que estamos vivendo. "A partir de amanhã (dia 1º) o nosso País vai ver a ficha cair. Parece que todos estão achando que com o impeachment tudo vai ser resolvido, a crise econômica vai acabar, a crise política vai acabar e, na verdade, é bem o contrário. Acho que agora, num curto prazo, tende a haver uma deterioração da economia maior ainda e da crise política. E a gente como brasileiro precisa se conscientizar."
Já segundo o líder do PT na AL, Professor Lemos, o impedimento gera desconfiança fora e dentro do Brasil. O petista reiterou que o partido seguirá fazendo a defesa da classe trabalhadora. "Nós queremos que a classe trabalhadora não sofra prejuízos com reformas que podem mexer com a vida de todos, como a da previdência, gerando desemprego. Queremos continuar fazendo o bom debate, para evitar que investimentos em saúde e educação diminuam."


