Pertence: é difícil capturar corrupto
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sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Fausto Macedo<br> Agência Estado 
Curitiba - O ministro José Paulo Sepúlveda Pertence, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse ontem, em Curitiba, que ''é difícil prender corrupto''. Para reforçar a tese, ele fez uma comparação com a ação dos pequenos ladrões, estes sim na cadeia. ''É difícil (prender corrupto). O trombadinha que furta a carteira vai ver depois pra onde vai correr. O corrupto competente, seja na área privada seja na área pública, é um homem que planeja.''
Pertence reconheceu que são poucos os corruptos na prisão. Segundo o ministro do STF, quando o corrupto competente suspeita ''que a sua ação pode vir a ser descoberta, ele muda de método.''
Pertence, apontado como provável sucessor do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para o segundo mandato do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, declarou que ''é evidente que a corrupção emperra o desenvolvimento do País''. O ministro do STF negou a pretensão de ocupar o cargo de ministro da Justiça. ''Sou candidato a ministro aposentado do STF; estou doido pra ir à matinê.''
Pertence participa do 19.º Congresso Brasileiro de Magistrados. O evento reúne 1.800, desembargadores e ministros do Judiciário. Uma pesquisa com cerca de 3 mil magistrados mostra que quase 100% deles atribuem à corrupção a estagnação do Brasil.
Pertence disse que ''o combate ao colarinho branco não é apenas um problema de moralidade e disposição''. O ministro afirmou que a ofensiva contra a corrupção ''é um problema de eficácia dos meios de investigação sérios porque, afinal de contas, as coisas hão de ser feitas segundo o devido processo legal''.
Pertence avalia que ''não é ineficaz'' o combate do governo à corrupção. O ministro não quis avaliar a versão de Lula de que nunca se combateu tanto a corrupção.
''Não vou comentar esse ou aquele governo, mas é evidente que a redemocratização traz, necessariamente, uma evidência de corrupção maior que nos regimes autoritários. Até porque, nos regimes autoritários, vocês (jornalistas) não eram tão livres para transformar denúncias em manchetes.''


