Agência Folha
De São Paulo
Repercussão entre diversas personalidades sobre a morte do ex-presidente João Figueiredo:
- Marco Maciel, 59, vice-presidente, governador de Pernambuco durante o governo Figueiredo: ‘‘Ele concluiu o processo de abertura política iniciado por Geisel e permitiu ao País reingressar no estado de direito e viver a plenitude democrática. Esta será a principal marca de sua vida pública no momento de seu desaparecimento, que lamentamos’’.
- Aureliano Chaves, 70, vice de Figueiredo: ‘‘Minhas ocasionais divergências com Figueiredo nunca afetaram o apreço que tinha por ele. Era um apreço decorrente da sua extraordinária vocação de homem voltado para os interesses do Brasil. Do ponto de vista histórico, foi o presidente da República que tomou a iniciativa de pacificação nacional ao implementar o processo de anistia política ampla. Ele não guardava ódio no seu coração e reconciliou o país com a vida democrática’’
- Jarbas Passarinho, 79, líder do governo no Senado (1979-1980) e ministro da Previdência e Assistência Social (1983-1984): ‘‘Por trás da carapaça era, no fundo, um homem muito generoso e sofrido fisicamente, tinha um problema na formação dos cílios, que irritavam suas córneas permanentemente, e também sofreu de hérnia de disco e, depois, enfrentou problemas de coração. Suas declarações, famosas, de que ‘‘lugar de brasileiro é no Brasil’’, desencadearam todo o processo de anistia. Ele enfrentou os bolsões radicais que se opunham à abertura’’.
- Nelson Marchezan, 61, líder do governo Figueiredo na Câmara (79/80 e 83/84): ‘‘Lamento profundamente, embora fosse esperado o passamento do presidente pelo agravamento do seu estado de saúde. Era um homem sensível aos problemas sociais. Ele não sentia cansaço, não sentia dores lombares nem irritação nos olhos quando estava em contato com o povo. Exercitou como poucos a democracia. Foi um presidente que caminhou no rumo da democracia, não tão depressa como queriam alguns da oposição nem tão devagar como queriam setores do governo’’
- General Newton Cruz, 75, chefe da Agência Central do SNI e comandante militar do Planalto no governo Figueiredo: ‘‘Foi uma das notícias que mais me abalaram nos últimos anos. Tinha pelo presidente uma amizade profunda, nascida de um respeito e uma profunda admiração. A redemocratização do País se deve exclusivamente a ele. Foi o maior democrata que eu conheci em vida no Brasil. Se a democracia não é hoje o que ele sonhou, não é por culpa dele. Era um escravo do seu jeitão’’.
- Paulo Maluf, 68, ex-governador paulista (1979-82): ‘‘Figueiredo governou o Brasil e levou o País à abertura política’’.
- Luiz Inácio Lula da Silva, 53, líder petista e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (1975-81): ‘‘Minha convivência política com ele não foi das melhores. Em seu governo, pela primeira vez os militares se meteram com as greves. Não é legal falar mal de quem já morreu. Deixe que os amigos falem bem’’
- José Dirceu, 53, deputado federal (SP) e presidente do PT: ‘‘Não deixa boas lembranças. Seu governo foi medíocre, cinzento. Por outro lado, não houve retrocesso, o que seria ainda pior. O Riocentro é uma nódoa para as Forças Armadas e deixou uma divida com o país, acobertado com seu apoio. Foi dos piores presidentes do regime militar, só comparado a Costa e Silva’’.
- José Arthur Giannotti, 68, filósofo: ‘‘Você se lembra da última frase dele ao sair do governo? ‘‘Esqueçam de mim’’. Eu me esqueci dele.’’
- Antonio Carlos Magalhães, presidente do Senado – ‘‘Ele se destacou como oficial nas Forças Armadas o que lhe facilitou o acesso ao Palácio do Planalto. Na Presidência, sobretudo no início, teve êxitos, mas no final, teve uma atuação conturbada que não lhe permitiu um fim de governo a altura de seus méritos.’’
- Fernando Collor de Melo, 50, ex-presidente da República: ‘‘Morre o último presidente do regime militar e aquele a quem devemos a anistia política e a transição democrática.’’

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