Buenos Aires O senador peronista Eduardo Duhalde, de 60 anos, deve ser indicado o novo presidente da Argentina. A escolha seria feita ainda na noite de ontem pela Assembléia Legislativa (sessão conjunta do Senado e Câmara argentinos). A crise política na Argentina foi agravada com a renúncia do presidente Adolfo Rodríguez Saá, na madrugada de segunda-feira. Saá alegou não ter recebido apoio político necessário para permanecer no cargo.
A sessão da Assembléia começou com várias horas de atraso, depois de intensas negociações com diversos setores de seu próprio partido, o Partido Justicialista (Peronista), que resistiam à idéia da designação de Duhalde, além de discordar da suspensão das eleições diretas para presidente em março deste ano.
A resistência à candidatura de Duhalde – que há dois anos perdeu as eleições presidenciais para Fernando de la Rúa – havia sido liderada pelo governador da província de Córdoba, o peronista José Manuel de la Sota, e outros dois governadores de províncias menores. Este grupo desejava a realização de eleições presidenciais de março. Mas no início da noite, segundo o presidente interino da República, Eduardo Camaño, as divergências já ‘‘haviam sido solucionadas’’. A demora na designação de Duhalde evidenciava as profundas divisões que costumam existir no peronismo quando não possui um caudilho que o discipline.
O tom dado pelos assessores de Duhalde indicava que este seria ‘‘um governo de salvação nacional’’. E não era à toa. O país está há três anos e meio em recessão – um recorde histórico na Argentina – e com um índice de desemprego oficial de 18,3% (que muitos analistas de fora do governo o calculam em mais de 22%).
No último mês, as vendas do comércio despencaram 43%, enquanto que a arrecadação tributária teria caído 40%, uma proporção sem precedentes.
Como se fosse pouco, na semana passada o governo anterior declarou a suspensão do pagamento da dívida externa pública, e a Argentina não conta com ajuda financeira alguma do exterior.
Enquanto dentro do Congresso Nacional os parlamentares se preparavam para escolher o presidente que terá a dura tarefa de tirar o país da grave crise financeira e social na qual está afundado, do lado de fora do histórico edifício, militantes de partidos de esquerda e simpatizantes de Duhalde, enfrentavam-se em violentos choques.
A intenção de Duhalde e de seus aliados era ser colocado na Casa Rosada, a sede do governo, com um mandato presidencial até dezembro de 2003, completando assim o governo inacabado do ex-presidente Fernando De la Rúa.
Desta forma, tendia a ficar descartada a possibilidade de eleições presidenciais no dia 3 de março deste ano, para a escolha de um presidente pelo voto popular Diversos parlamentares sustentavam que a discussão sobre a designação de Duhalde poderia varar a noite, e que sua eventual escolha ocorreria somente nesta madrugada.
Se Duhalde for eleito, será a primeira vez desde meados do século XIX, em que um ex-governador da província de Buenos Aires torna-se presidente da Argentina. Durante mais de um século e meio, nenhum governador bonaerense conseguiu chegar à Casa Rosada, apesar da imensa importância econômica e eleitoral que a província possui no país.

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