Permanência de Lerner repercute na base
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sábado, 06 de abril de 2002
Leandro Donatti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A permanência do governador Jaime Lerner (PFL) até o final de seu mandato tem repercussão na base aliada. A decisão anunciada anteontem acaba com o sonho da vice-governadora Emília Belinati (PFL) e do presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), de assumirem o Palácio Iguaçu. Emília e Brandão monitoraram os movimentos do governador até quando o mesmo deu por encerrada a negociação que tentou transformá-lo em candidato a vice-presidente na chapa do ex-ministro José Serra (PSDB).
Emília chegou a anunciar que desistiria de concorrer ao Senado para ser governadora, caso Lerner se desincompatibilizasse. Na sombra de Lerner desde 1995, quando começou o primeiro mandato, Emília se diz isolada no governo. Descontente com a linha política, a desincompatibilização seria a chance de assumir o poder.
Para o presidente da Assembléia, o projeto de assumir o governo enfrentaria desafios. Porém, o desligamento de Lerner seria o primeiro passo para concretizar um antigo desejo. A Brandão, o terceiro na linha de sucessão, caberia convencer a vice-governadora a abrir mão do posto e o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa, a renunciar sua pré-candidatura ao governo pelo PSDB. Hermas pretendia se valer do instituto da reeleição, para concorrer ao governo durante a sua prolongada interinidade. Agora não lhe resta outra alternativa que não concorrer a deputado.
Os pré-candidatos do PFL ao governo, Rafael Greca e Lubomir Ficinski, saem, em tese, fortalecidos com o naufrágio das negociações de Lerner em Brasília. Para ambos, o estremecimento das relações entre Lerner e o presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, é interessante. Lerner não os apóia e quer fazer de Beto Richa o candidato de uma aliança PSDB-PFL. Ao apoiar a candidatura presidencial de Roseana Sarney, em vez de uma composição tendo Lerner como vice de Serra, Bornhausen reforça a tese de que no Paraná o PFL precisa de candidato próprio.
Beto Richa também pode sair fortalecido com a decisão de Lerner. A permanência do governador no poder pode lhe garantir o suporte da máquina durante a campanha, caso Beto se viabilize como candidato e Lerner insista em não seguir a orientação do PFL.


