Agência Estado
De Maceió
O médico legista e professor da Universidade Federal de Alagoas, coronel da Polícia Militar George Sanguinetti, denunciou ontem o desaparecimento de cerca de 150 páginas do inquérito sobre as mortes do empresário Paulo César Farias e de sua namorada Suzana Marcolino. ‘‘Sumiram as páginas de número 1.572 a 1.717, que continham o meu parecer e os textos dos peritos que me auxiliararam, constestando o laudo do médico legista Fortunato Badan Palhares’’, afirmou o perito.
Sanguinetti disse ter sido informado do fato pelo juiz Alberto Jorge Correia de Lima, que está a frente do caso. ‘‘Na última quinta-feira à tarde, fui convocado pelo juiz e compareci ao Fórum de Maceió, quando tomei conhecimento do sumiço desse material, na frente dos delegados Antonio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que comandaram as investigações sobre a morte de PC e Suzana’’, afirmou Sanguinetti.
O médico legista alagoano entregou uma cópia do seu parecer, com 65 páginas, ao juiz. ‘‘Sei que junto com o meu parecer estavam anexados os textos do perito criminal Lamartine Bizarro Mendes e da advogada Tatiana Lambauer, que me auxiliaram no trabalho de contestação da versão de homicídio seguido de suicídio’’, completou.
O juiz confirmou que recebeu o inquérito ‘‘faltando algumas páginas’’, mas garantiu que esse problema foi superado quando os delegados encontraram em casa as páginas que estavam faltando. ‘‘Agora o inquérito está completo, temos inclusive duas cópias do parecer do professor Sanguinetti’’, afirmou Lima.
O magistrado disse que já está providenciando as cópias de todas as 3.500 páginas, dos 14 volumes do inquérito sobre a morte do empresário PC Farias e de Suzana, para enviá-las ao Supremo Tribunal Federal até o final da próxima semana. ‘‘Cópia do inquérito segue para o presidente do STF, ministro Carlos Velloso, que dará vistas ao Ministério Público Federal, para oferecer ou não denúncia contra o deputado Augusto Farias’’.
A reportagem procurou ouvir o deputado Augusto Farias, em Maceió, mas ele não foi localizado. Na Blumare, concessionária Fiat que pertence à família Farias, localizada em Maceió, a secretária Lavínia disse que ele estava em Brasília. Ela confirmou que o deputado adiou o depoimento dele, que estava marcado para às 9 horas de ontem, na empresa.
O parlamentar foi indiciado anteontem como co-autor da morte de seu irmão, PC Farias e de sua namorada Suzana, em junho de 1996. Augusto Farias foi indiciado por ter insistido na versão de crime passional, coagido testemunhas e custeado a defesa de demais acusados.
O parlamentar iria prestar depoimento ao juiz Daniel Acioly, da 1ª Vara Especial Criminal, que está à frente do inquérito sobre a morte da deputada federal Ceci Cunha, morta em dezembro do ano passado junto com mais três parentes. Como tem foro privilegiado o deputado Augusto Farias tem o direito de marcar nova data e local para ser ouvido pelo juiz.

mockup