Brasília - Em meio ao clima de constrangimento causado pelas últimas revelações da Polícia Federal, o PSDB começou a reavaliar a situação do governador de Goiás, Marconi Perillo, acusado em relatório da corporação entregue ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) de firmar um ''compromisso'' espúrio com a Delta Construções quando assumiu o governo em 2011, intermediado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira.
Lideranças tucanas que leram o documento admitiram nos bastidores que as provas são robustas e consideram delicada a situação do governador. Na esfera interna, o partido já dá como provável a convocação de Perillo para novo depoimento à CPI do Cachoeira, quando deverá explicar contradições em torno da venda de uma mansão em Goiânia.
Os tucanos, no entanto, afirmam que a CPI do Cachoeira tem tido uma conduta parcial, buscando muito mais atingir a oposição do que apurar os fatos. Por isso, na opinião do presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, a CPI deveria voltar-se para outros governadores, como Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro.
''Essa é uma CPI zarolha, só olha para um lado'', afirmou o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE). Ele insistiu que a acusação sobre a venda da casa do governador goiano já foi explicada exaustivamente. ''Não há razão para o partido reavaliar seu apoio ao governador, que continua merecedor de nossa total confiança'', enfatizou.
Mas o partido, segundo ele, espera que Perillo se manifeste, ''como fez em outras tantas vezes em que respondeu aos questionamentos de forma firme e convincente''. Na mesma linha o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que a confiança no governador se mantém inalterada. ''Nada contra a convocação, não seremos obstáculo, mas a pergunta é: convocar para quê? Para repetir as mesmas perguntas e ouvir as mesmas respostas?'', questionou. ''Ele já explicou tudo o que precisava e não há razão alguma para falar de novo sobre fatos que já esmiuçou.''
Perillo é acusado de ligações com a organização criminosa comandada por Cachoeira, desmantelada em 29 de fevereiro pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal. A situação do governador complicou-se neste fim de semana, após a revelação de que ele mentiu para a CPI sobre a venda de sua mansão. A PF sustenta que houve um ''compromisso'' entre o governador e a Delta, intermediado por Cachoeira. Em razão do acordo, a venda teria sido paga com dinheiro da construtora, em troca da liberação de créditos milionários que a empresa tinha retidos no governo.
O PSDB reconhece que a rede criminosa de Cachoeira é multipartidária e avança até sobre legendas de rigidez ideológica. Admite também que em seus quadros há membros contaminados e já desistiu, por exemplo, de pôr a mão no fogo pelo deputado Carlos Alberto Leréia (GO). Mas não vai aceitar artilharia ''com mira seletiva''.
Animada com o sangramento dos tucanos, a tropa de choque do PT pegou pesado na CPI. O vice-presidente da comissão, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), defendeu ontem o indiciamento do governador. O relator, Odair Cunha (PT-MG), confirmou que vai mesmo indiciá-lo no relatório que pretende fechar no final de agosto. Explicou que se já estava convencido antes, agora está muito mais.
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), acha que nem é necessário fazer nova convocação de Perillo. Mas não diz isso por bondade. Para ele, o tucano mentiu em seu depoimento anterior e merece ser cassado pelo elo com o contraventor. ''Convocar para quê? Para ele dar o showzinho dele? Bobagem. O que a CPI deveria fazer é representá-lo no Ministério Público e no Superior Tribunal de Justiça (STJ)'', disse o líder petista.
Tatto afirmou já haver três fatos que comprovariam o envolvimento de Perillo com Cachoeira. ''Primeiro: a casa, que está provada que foi Cachoeira quem comprou. Segundo, a cota de funcionários que ele colocou no governo e, em terceiro, Cachoeira pagou dívidas de campanha do governador'', disse. O líder petista afirmou que a Assembleia Legislativa de Goiás deveria abrir processo de impeachment e que se isso não fosse feito caberia ao STJ tomar a medida de afastar Perillo da função. ''É uma temeridade para Goiás ele continuar governador.''

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