Péricles defende reforma polêmica
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domingo, 04 de fevereiro de 2001
Denise Angelo De Ponta Grossa 
O primeiro mês da administração do PT em Ponta Grossa foi marcado por dificuldades financeiras, a exemplo do que ocorre em outros municípios. Mas o prefeito Péricles de Holleben Mello considera que alguns passos dados em janeiro foram importantes para os próximos quatro anos. É o caso da reforma administrativa, criticada pelo Sindicato dos Servidores Públicos, mas defendida pelo prefeito.
Essa estrutura que criamos foi necessária para podermos implementar nossos planos de ação, justifica Péricles, referindo-se aos cargos criados na área de saúde. Ele pretende implantar o programa Saúde da Família e para isso foram criados vários cargos, via projeto de lei enviado e aprovado pela Câmara de Vereadores. O sindicato reclamou da medida, alegando que iria custar R$ 400 mil à prefeitura. Péricles rebate dizendo que os salários serão custeados com recursos federais.
A aprovação desse projeto, aliás, é para Péricles um sinal de apoio do Legislativo ao seu governo. Pudemos perceber que temos a maioria, aliás, o apoio já havia sido mostrado quando conseguimos eleger o presidente da Câmara, Gerveson Tramontin Silveira (PT), observou.
Janeiro também foi marcado pelo início de averiguações na prefeitura. A administração determinou a realização de quatro auditorias. Uma, considerada a mais representativa, está sendo efetuada pela Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, e deve verificar toda a administração do ex-prefeito Jocelito Canto (PSDB).
Temos suspeitas de várias irregularidades, mas precisamos de um levantamento técnico para podermos comprovar, observou o prefeito. Outros levantamentos estão sendo realizados nos contratos com as empresas de energia elétrica e de coleta de lixo e na concessionária de transporte coletivo.
Outro ponto que Péricles destaca é o início da informatização da prefeitura. Faremos um empréstimo com um bom prazo de carência e quando começarmos a pagar já teremos, graças à informatização, aumentado a receita do município. Sem contar na satisfação do contribuinte, que será atendido com muito mais rapidez, afirma.
O relacionamento com o governo do Estado teve um primeiro impasse. Como nos dois últimos meses do ano passado as contas da prefeitura ficaram bloqueadas pela Justiça, não foi feito o pagamento das parcelas do Paraná Urbano. O acúmulo foi descontado no mês de janeiro. Tentei negociar um parcelamento desses valores, mas não foi possível, lamentou. Mas Péricles explicou que os responsáveis mostraram motivos técnicos para isso. Não posso fazer uma crítica ao governo do Estado por isso, mas infelizmente não fui atendido.
O relacionamento com a imprensa foi a maior dificuldade sentida pelo prefeito no primeiro mês de sua administração. Cheguei a ser citado na imprensa nacional por uma coisa que não disse, alega.
Péricles refere-se a uma frase publicada em revista nacional, em que ele teria dito que prima não é parente. Jamais disse isso e a discussão sobre nepotismo é algo que enfrento com tranquilidade porque a minha prima está ocupando uma função para a qual está perfeitamente capacitada, destaca. A prima do prefeito, Ana Maria Branco de Holleben, foi nomeada secretária de Cultura.
O prefeito disse ainda suspeitar que todos os comentários ventilados sobre nepotismo no PT do Paraná são uma maquinação para desgastar o partido, já com vistas à eleição de 2002.


