O deputado Péricles Holleben de Mello (PT) vai levar para a administração de Ponta Grossa o discurso que repete na Assembléia. ‘‘A ética maniqueísta da esquerda no Brasil tem que se transformar em ética do diálogo’’, enfatiza. Voltado para o diálogo que prega, o futuro prefeito de Ponta Grossa, eleito com 49% dos votos, já fechou alianças com o PDT, PMDB e PHS e traçou os primeiros planos do que chama de ‘‘governo de união’’.
Antes de mais nada, garante, é preciso ter maioria na Câmara de Vereadores. O partido de Péricles elegeu quatro vereadores – um a mais que no governo atual. A bancada ainda conta com outros três representantes de partidos aliados. ‘‘Precisamos fechar novas alianças para termos governabilidade’’, afirmou, garantindo que essa política não irá dissolver o discurso do PT. ‘‘Podemos dar um passo para trás, mas iremos avançar mais do que indo contra um outro grupo de poder.’’
Sejam muitas ou poucas as alianças, o novo prefeito avisa que sua gestão será marcada pela participação popular. Segundo Péricles, a criação de um novo plano diretor de desenvolvimento econômico da cidade será feita em fórum, com a atuação de representantes de associações de moradores, União das Igrejas Evangélicas, bispos, Cefet e outras entidades.
Péricles vê na abertura para novas indústrias uma solução para o crescimento econômico do município que, segundo ele, tem uma ‘‘vocação industrial por estar tão perto de Curitiba’’. Mesmo com essa vocação, Ponta Grossa – o quarto maior colégio eleitoral do Estado – é uma das cidades de médio porte com o maior índice de pobreza do Paraná: 13% da população moram em favelas. ‘‘Também falta estratégia para a cidade. Existem vazios urbanos, 30 mil lotes vagos, falta de luz, água e pavimentação’’, completa. O prefeito eleito também planeja a instalação de conselhos de vilas.
Apesar de criticar a forma de governo do atual prefeito Jocelito Canto (PSDB) – que conquistou 41% dos votos –, Péricles diz que irá dar continuidade a algumas iniciativas desta gestão.