O Ministério Público (MP) entrega hoje ao delegado Alan Flore, do Gaeco, o microcomputador que era utilizado pelo ex-superintendente da Acesf Osvaldo Moreira Neto. Segundo o promotor Jorge Barreto, há suspeitas de que arquivos da máquina tenham sido deletados. O equipamento foi encaminhado ao MP na última sexta pelo controlador-geral do Município, Mílson Dias; dois dias antes, Moreira Neto entregara o cargo e dissera, em entrevitsa à FOLHA, e em menção à auditoria da Controladoria-geral do Município: ''É para que, amanhã ou depois, não venham dizer que eu estava sendo investigado e que, no comando, poderia ter escondido algo''.
O promotor disse que vai requerer ao delegado que o microcomputador seja encaminhado a perícia, a fim de que supostos dados sejam recuperados. ''Temos notícia de que arquivos foram apagados'', declarou Barreto, conforme o qual Moreira Neto e seu antecessor na pasta - ambos, indicação do ex-vereador Orlando Bonilha (PR) -, Sérgio Plínio, deverão ser intimados hoje a depor ainda esta semana. O MP investiga desde o início do mês passado denúncias de que servidores da Acesf teriam coagido usuários da autarquia a contratar serviços de tanatopraxia sem necessidade, o que é apurado também em auditoria da Controladoria.
Ontem, também Dias admitiu a possibilidade de eliminação de arquivos digitais. E confirmou: a relação da Acesf com fornecedores é investigada ainda sob a ótica da quantidade de tanatopraxias realizadas nos últimos anos. ''Verificamos que, quando veio a segunda empresa, aumentou significativamente o serviço. Isso e o preço das tanatopraxias em Londrina (a FOLHA apurou que, na região, ele é até 600% inferior) também serão levados aos promotores'', avisou. O promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, disse, via assessoria, que ''vai aguardar da Controladoria'' qualquer iniciativa para definir se toma providências.

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