Perícia sobre grampos pode estar prejudicada
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quarta-feira, 16 de março de 2011
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O diretor do Instituto de Criminalística, Carlos Roberto Martins de Lima, afirmou ontem que o trabalho da perícia nos locais onde foram encontrados aparelhos supostamente de escuta telefônica dentro do prédio da Assembleia Legislativa (AL), há cerca de um mês, pode estar prejudicado. Segundo ele, quando os técnicos da empresa Embrasil - contratada pela administração da Casa de Leis especificamente para realizar a varredura na sede do Poder Legislativo - encontraram evidências de grampos, o procedimento correto era ter mantido o ambiente intacto. No entanto, quando a polícia científica chegou ao local, os aparelhos já tinham sido retirados e colocados sobre uma mesa.
As declarações de Lima foram dadas durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Espionagem. De acordo com o diretor, o motivo da demora em finalizar o laudo técnico dos aparelhos - que irá determinar se os equipamentos eram escutas ou bloqueadores - é a falta de estrutura e de pessoal do instituto, que precisou solicitar apoio da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Já o laudo sobre a perícia localística já estaria pronto.
O sócio da Embrasil, Jeferson Nazário, também foi ouvido pelos membros da CPI e revelou que havia indícios de grampos na central telefônica dos gabinetes dos parlamentares. Segundo ele, não foram encontrados aparelhos, mas a fiação estava adulterada. Ele reiterou que pelo menos um dos equipamentos, encontrado na antessala do plenário, trata-se de um grampo clássico, com finalidade exclusiva de escutar conversas telefônicas.
Nazário descreveu o procedimento de varredura que teria sido acompanhado por um policial militar. Ele justificou o fato de não ter chamado a polícia científica em um primeiro momento por estar apenas prestando serviço para um cliente.
O proprietário da empresa que vendeu os aparelhos bloqueadores para a administração da AL em abril do ano passado, Marcos Aurélio Menestrina, foi convidado a depor na sessão, mas não compareceu. Ele será intimado para a próxima reunião. Também serão convidados o ex-coordenador técnico da Assembleia Francisco Ricardo Neto, que solicitou a compra dos equipamentos, o ex-diretor-geral Eron Abboud, que aprovou a licitação, e o técnico da Embrasil que coordenou a varredura, Antonio Carlos Walger.


