Perícia pode livrar Jader de denúncia
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de agosto de 2001
Edson Luiz<BR>Agência Estado<BR>De Manaus 
Depois de sofrer duas derrotas consecutivas, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) tem tudo para sentir o sabor da vitória, pela primeira vez nos últimos meses. As investigações feitas pela Comissão de Ética do Senado e pela Polícia Federal em torno da denúncia de que o senador teria cobrado propina para ajudar a liberar dinheiro da extinta Sudam não vai dar em nada. Pelo menos para Jader.
A PF ouviu duas testemunhas que confirmaram que não existiu a conversa do deputado estadual pelo Amazonas, Mário Frota (PDT), com o empresário amazonense David Benayon, na qual o parlamentar supostamente pede US$ 5 milhões em nome de Jader. Os senadores da comissão e o delegado federal Nilson Antunes, que preside o inquérito da fita, só esperam o resultado final da perícia que deve sair em 10 dias para dar ao senador o atestado de nada consta, pelo menos neste caso. Jader colecionou, em apenas uma semana, duas derrotas. A primeira aconteceu na Justiça, quando seu sigilo bancário e fiscal foi quebrado pelo STF, numa decisão inédita.
Até então, nenhum presidente do Poder Legislativo havia sido atingido com esta medida. A segunda foi política, quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) concordou em investigar o senador.
Desde que foi publicada a denúncia da suposta cobrança de propina por parte de Jader, a PF tinha desconfiança de que tudo era uma grande farsa. O primeiro indício era a falta do outro interlocutor, já que na gravação, apenas há diálogos de Frota. Quem conhece o deputado e que teve acesso à gravação, diz que a voz não é dele. ''Aparentemente não se trata da mesma voz'', confirma o senador Jefferson Peres (PDT-AM), integrante da Comissão de Ética do Senado.
A outra suspeita era que, sendo Frota um deputado estadual sem expressão nacional, chefiando um escritório insignificante da Sudam, não teria cacife para receber propostas diretamente de Jader, o então mandatário da autarquia.


