As investigações sobre a origem e autenticidade da fita com a suposta conversa do juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto poderá ser o elo entre o ex-senador Luiz Estevão e o responsável pelo desvio de R$ 169 milhões das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. A avaliação é do procurador Luiz Francisco de Souza.
Segundo Luiz Francisco, se for confirmada a suspeita de que a gravação foi feita pelo assessor de Estevão, Fábio Simão, ‘‘não haverá mais dúvidas sobre as estreitas ligações entre Estevão e o juiz Nicolau’’. ‘‘O Fábio Simão é um fiel assessor de Luiz Estevão e se ficar comprovado que a voz é dele então teremos o elo que faltava para mostrar que as ligações entre o juiz Nicolau e o Luiz Estevão eram muito fortes.’’
Luiz Francisco ressalta que ‘‘quem tiver participado’’ dessa gravação poderá responder a processo criminal por ‘‘favorecimento pessoal’’, ou seja, encobrir um foragido da Polícia. ‘‘Se a gravação foi feita depois de a prisão do juiz ter sido decretada, quem a fez não só sabia do paradeiro de um foragido como contribui na fuga, para que ele continue escondido’’, disse Luiz Francisco.
Para que seja possível a chegar a qualquer conclusão, o Ministério Público tomou a cautela de pedir que a perícia do Instituto Nacional de Criminalística tente identificar a data e o ambiente em que a conversa foi gravada, além da identificação das vozes. ‘‘A data é para sabermos se à época da gravação o Nicolau já era um foragido e o ambiente é para saber se é grampo telefônico ou se as pessoas conversavam frente a frente’’, explicou Luiz Francisco.
O procurador ressalta que o MP não vai desprezar o conteúdo das supostas conversas de Nicolau, mesmo se confirmado que a gravação foi ‘‘armada’’. ‘‘O Ministério Público não vai desqualificar as provas por conta desse episódio, o nosso caso é o desvio de verbas do TRT e a participação do Eduardo Jorge’’, frisou.

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