Perícia descarta grampo por maletas da Abin
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quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Maria Clara Cabral e Alan Gripp<br>Folhapress 
Brasília - Perícia realizada pela Polícia Federal (PF) em 16 equipamentos de inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) constatou que nenhum deles é capaz de realizar interceptações telefônicas como a feita em conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Segundo o documento produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF, dois dos equipamentos analisados são capazes de realizar escutas, mas apenas em linhas analógicas. A conversa entre as duas autoridades, no entanto, foi feita por meio de uma conferência entre linhas fixas digitais do Senado e do Supremo, depois transferida para o celular de Mendes.
''Os equipamentos enviados para exame, nas condições apresentadas, isolados ou em conjunto, não possuem capacidade técnica para demodular sinais de telefonia celular nos padrões GSM, CDMA e PCS'', diz o laudo, enviado à CPI dos Grampos e à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso.
O resultado da perícia não elimina as suspeitas de que agentes da Abin tenham feito grampos ilegais, apenas derruba a possibilidade de que tenham sido realizados com equipamentos comprados oficialmente e apresentados pela agência.
O laudo do INC impõe uma derrota ao ministro Nelson Jobim (Defesa), que acusou categoricamente a agência de possuir equipamentos com capacidade de interceptação. Já sabendo do resultado de um outro laudo nos aparelhos da Abin, feito pelo próprio Exército, Jobim recuou de suas acusações, anteontem, ao depor à CPI. Em vez de afirmar que a agência possuía equipamentos de grampos, como anteriormente, o ministro disse aos deputados que não tinha ''certeza'' disso, e que apenas recebera ''informações'' nesse sentido.
A acusação de Jobim foi decisiva para o afastamento do diretor da Abin, Paulo Lacerda, determinado pelo presidente Lula. Na avaliação do Planalto, o laudo reforçou os argumentos apresentados por ele em defesa da corporação. A tendência é que Lula espere o fim do inquérito da PF para decidir se Lacerda volta ao cargo na Abin. Jobim afirmou, por sua assessoria, que não comentará o resultado do laudo.


