Perícia confirma voz de Shirley em fita 'suspeita'
Luciana Pombo
De Curitiba
O depoimento de Shirley Aparecida Pontes, acusada de ser o principal braço do traficante carioca Fernandinho Beira-Mar no Paraná, pode ser colocado sob suspeita. É que na semana passada, apareceu uma fita cassete com declarações dela, afirmando que foi induzida pelo deputado estadual Angelo Vanhoni (PT), presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Assembléia Legislativa, a citar policiais e delegados que estariam supostamente envolvidos no crime organizado e no tráfico de drogas.
Vou queimar a cara dele também. Ele disse que iria me ajudar e não me ajudou, falava na gravação, que teria sido feita por uma guardiã da Penitenciária Feminina de Piraquara.
A fita foi para a peritagem e o resultado confirmando que a voz é mesmo da traficante foi divulgado ontem. É cem por cento de precisão a peritagem. A voz é dela, confirmou o perito Leocádio Casanova. De acordo com ele, a fita tem duas interrupções que podem indicar montagem, mas pode ter sido involuntária. As conversas ficaram claras com a peritagem e mais de 80% da fita não tem qualquer tipo de interrupção que possa indicar montagem, afirmou o perito.
O deputado estadual Ricardo Chab (PTB), presidente da Comissão de Segurança da Assembléia Legislativa e responsável pela encomenda da peritagem, disse que espera que a CEI tome providências sobre o caso. Se eles não fizerem nada, nós faremos, garantiu ele. Em recente entrevista na Rádio Cidade, Shirley negou que a voz fosse dela e que Vanhoni tivesse prometido liberdade em troca do depoimento.
O diretor-geral da Secretaria de Estado da Justiça, Silvio Cavanhari, disse que fará uma investigação para saber de que forma a gravação foi feita. Ontem, a reportagem da Folha tentou entrar em contato com Vanhoni, mas não conseguiu localizá-lo.





